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4 ANOS, 50 EDIÇÕES

Edição 50. O NOTÍCIAS DA FREGUESIA já começa a fazer história na freguesia, mas, mais importante, é o seu contributo para que se façam e se conheçam histórias.
Nesta edição, aniversário, várias foram as mudanças: mudança de gráfica, registo na Entidade Reguladora para a Comunicação Social, aumento, para o dobro, da tiragem. As mudanças foram muitas, mas a essência do NOTÍCIAS DA FREGUESIA continua a mesma.
Aqui ficam algumas vozes da freguesia que não quiseram deixar de felicitar o jornal.

“Apoiei sempre a criação do jornal. Acho muito importante a divulgação de informação. Quanto ao NOTÍCIAS DA FREGUESIA considero uma grande ideia e espero que a Junta de Freguesia continue com este projecto. É importante que as pessoas saibam que o jornal é apreciado lá fora (estrangeiro) e a junta faz o convite às população para deixar envelopes preparados a fim de lhes fazer chegar o jornal. Deixo aqui os meus votos de felicidades e que continue a ir para a frente!”. Albino de Jesus Silva, Souto da Carpalhosa (emigrante em França)

“Quero deixar aqui os parabéns ao jornal. Tem sofrido uma evolução bastante positiva, sobretudo de há uns meses para cá. É uma boa iniciativa da junta e é, acima de tudo, muito importante para a freguesia. Além disso, acho que tem também uma vertente muito importante, no sentido em que, de alguma forma, “pica” as associações e a comunidade para a realização de actividades. No fundo, é um meio de promoção”. Raul Caetano, Chã da Laranjeira

“Leio o jornal habitualmente e acho-o muito interessante. Tenho uma ideia muito positiva relativamente a este veículo informativo. É muito interessante ver e saber o que passa na freguesia, mesmo as coisas mais pequeninas que se fazem, que não significa que sejam menos importantes. Deixo aqui os meus votos de parabéns ao jornal e desejo que chegue à edição número 100 com uma dimensão ainda maior. Aproveito para deixar também os parabéns à junta pelo projecto”. Fernando Duarte, Picoto

UMA VIDA ATRÁS DO BALCÃO

Na freguesia do Souto devem ser poucos os que não conhecem o Café Pinhal, junto à EN109, no lugar de Várzeas. Café e mini-mercado no mesmo local, muitos são os anos passados ao balcão, muitos são os que por ali passam, muitas são as histórias que se ali vivem. Os mais novos não se lembram das antigas tascas e tabernas, já não são desse tempo. Mas, ali, temos um estabelecimento que já foi uma taberna, em tempos, mas que o decorrer dos anos obrigou a mudar as suas características tão típicas.
Nesta edição, o NOTÍCIAS DA FREGUESIA foi falar com Eduardo Pinhal, proprietário do estabelecimento. Natural da Ortigosa, há 57 anos que veio parar às Várzeas e, antes de ir ter às suas mãos, já existia este espaço comercial. “Isto era uma taberna e uma mercearia do meu tio”, relembrou Eduardo. “O meu tio foi para o Brasil e, aquele que viria a ser um dia meu sogro, comprou isto”, conta. Mais tarde, em 1964, quando regressou da guerra do Ultramar, Eduardo casou com a “filha do patrão”. Cerca de quatro anos mais tarde, Eduardo adquiriu todo o estabelecimento – taberna e mercearia. Esta é, sem margem para dúvidas, um dos estabelecimentos mais antigos do género – senão o mais antigo – na freguesia.
Relativamente ao surgir das grandes superfícies comerciais, Eduardo afirma que os hipermercados vieram retirar muita da sua clientela. Mas, refere, “lá tem de se pagar na hora e aqui, há muitos que ainda podem ficar a dever”. Contudo, existe sempre o cliente fiel, “há os mais antigos que toda a vida vieram cá”, conta.
Desde que tem o estabelecimento em suas mãos, já fez algumas obras, nomeadamente a construção casa onde habita, junto ao estabelecimento, e amplificação do café. Mas, já lá vão alguns anos. Agora gostaria de fazer novas obras de ampliação e renovação. Contudo “temos todas as aprovações, luz verde em tudo para avançar, à excepção da Estradas de Portugal”, lamenta.
Estar ao balcão foi sempre a sua profissão. “Fiz isto quase 60 anos e nunca tive um dia de férias!”. A palavra “férias” só começou a fazer parte da sua vida quando, há três anos, apanhou um susto com um AVC. “Fui sempre eu e a minha mulher e não estou arrependido!”, afirma, orgulhoso do seu percurso de vida.
Agora, Eduardo Pinhal aos 68 anos e a sua esposa, Maria da Luz Santos, com 66, contam com a ajuda dos filhos, Samuel e Cristina e da nora, Anabela, no atendimento no café e no mini-mercado.
Mas, apesar de tantos anos de porta aberta, não significa que a crise não os afecte. O filho, Samuel, disse ao NOTÍCIAS DA FREGUESIA que a crise “também nos está a chegar”.
Neste tipo de estabelecimentos, mais familiar, encontramos um atendimento que não é comum nas grandes superfícies. “Às vezes, já estamos de porta fechada, tocam à campainha e nós ainda desenrascamos a pessoa”, conta Eduardo.
Durante esta conversa, Eduardo contou também alguns episódios caricatos que viveu ali no seu estabelecimento. “Uma vez, chegou aqui um tipo de mota e pede-me uma imperial e um maço de tabaco, e eu servi-o. Depois perguntou-me se eu lhe fazia uma sandes de chouriço e eu disse que sim. Fui fazê-la. Quando voltei, com a sandes na mão… bem, fiquei com ela na mão… porque já não estava ninguém no café!”, conta Eduardo, rindo-se, agora, do episódio.
Diariamente, são ainda muitos os que por ali passam e muitos outros os que já passaram pelo café e mini-mercado. O “Pinhal” é um verdadeiro exemplo de que a união familiar pode ser a chave para este estabelecimento perdurar.


PARA UMA NOVA PRIMAVERA ESPIRITUAL

1. Peregrinação interior às fontes da fé
Estamos prestes a entrar na “Grande e Santa Quaresma”, segundo a bela expressão dos nossos irmãos cristãos ortodoxos. Durante quarenta dias, todos os cristãos são convidados a fazerem uma revisão de vida e a reavivarem o dom da fé, recebido no baptismo, para celebrarem a Páscoa da Ressurreição com um coração novo. Quem não sente a necessidade dum tempo forte de mais recolhimento para pôr a vida em ordem?
Neste ano jubilar dedicado a S. Paulo, a Quaresma é, de modo especial, o tempo privilegiado para ir beber à fonte, ao coração do mistério da fé com a ajuda do Apóstolo. Queremos pois que a nossa Quaresma seja uma etapa da peregrinação do coração, com S. Paulo, até Jesus Cristo: uma peregrinação interior às raízes da fé, ao encontro pessoal com Cristo vivo.

2. Retiro espiritual com S. Paulo
Neste sentido proponho à diocese um “retiro popular”, acessível a todo o povo de Deus, com o tema “Permanecer no coração da fé com S. Paulo”, em ordem a um aprofundamento da fé e a uma revitalização da vida espiritual.
Como no ano passado, convido os cristãos a reunirem-se em pequenos grupos informais, uma vez por semana, durante uma hora, a fim de meditarem alguns belos textos de S. Paulo, segundo o método da leitura orante da Palavra de Deus (a lectio divina) e partilharem a fé. Para este efeito já foi distribuído pelas paróquias um guião como subsídio para o retiro. Peço aos párocos o melhor empenho na organização deste grande retiro do Povo de Deus.
Na escuta e meditação da Palavra, cada um aprenderá a ler o seu coração e a sua vida com o olhar benévolo, misericordioso, amigo e cordial de Deus e a abrir-se à Sua graça e à Sua novidade. E, certamente, descobrirá surpresas de Deus!
“O coração humano – o teu, o meu, o de todos – é mais rico de quanto possa parecer; é mais sensível de quanto se possa imaginar; é gerador de energias inesperadas; é uma mina de potencialidades muitas vezes pouco conhecidas ou até sufocadas pela frustrante convicção de que “ como assim, é impossível mudar alguma coisa” ou então “eu já não consigo”. Experimenta interrogar-te sobre as verdades que estão no mais profundo de ti. É um direito teu interrogares-te para te conheceres nas tuas luzes e sombras, para saberes donde vens, para onde estás a caminhar, que sentido tem a tua vida.
E no silêncio de algum momento sente-te querido por Deus e procura conhecer Jesus. Quando O conheceres, senti-lo-às próximo, amigo, vivo. E quando fizeres a experiência de suscitar um sorriso ou acender uma esperança na vida dos outros, dar-te-às conta de que também na tua vida haverá mais luz, mais sentido, mais alegria”(Cardeal Martini).

Tenho a certeza de que o retiro popular, vivido nesta perspectiva, despertará uma nova primavera espiritual, uma primavera da fé nas nossas comunidades cristãs.

3. O perfume do jejum e da partilha
Esta perspectiva ajuda-nos ainda a descobrir o sentido da antiga e sempre actual praxis do jejum e da partilha quaresmais.
“Quando jejuares, perfuma a tua cabeça”, diz o Evangelho. Que perfume querem os cristãos espalhar nesta quaresma de 2009? Na Mensagem para a Quaresma, o Santo Padre Bento XVI convida a “valorizar o significado autêntico e perene desta antiga prática penitencial do jejum que pode ajudar-nos a mortificar o nosso egoísmo e a abrir o nosso coração ao amor de Deus e do próximo”.
Neste sentido, o jejum –nas várias formas expressivas da sobriedade de vida e de consumo – torna-se oração e comunhão. Reaviva o amor. Abre no coração a fonte da partilha. Não faz barulho, mas dá frutos de justiça e de caridade.
Neste ano marcado pela crise sócio-económica, cujas primeiras vítimas são os mais pobres, o fruto da habitual renúncia quaresmal na nossa diocese será destinado a duas instituições: ao Centro de Acolhimento da Paróquia da Sé de Leiria que serve alimentação e outros apoios às pessoas sem abrigo que passam pela cidade ou nela vivem e à Comunidade Vida e Paz ao serviço dos sem abrigo e da recuperação dos toxicodependentes.
A todos os diocesanos desejo uma “grande e santa Quaresma”!

† António Marto, Bispo de Leiria-Fátima

CUMPLICIDADE DOURADA

Nesta edição o NOTÍCIAS DA FREGUESIA decidiu dar destaque ao amor. Como esta edição é referente ao mês do amor e da paixão, Fevereiro, e como se trata da edição 50 do jornal, nada melhor do que falar com casais que, há mais de meio século partilham momentos de cumplicidade.
Joaquim Coelho e Belmira Santos, do Picoto, comemoraram, no dia 7 de Janeiro, as suas Bodas de Ouro. Para assinalar a data do seu casamento, este casal renovou os votos no dia 10 de Janeiro, revivendo o dia em que uniram as suas vidas em 1959. “Foi um dia mais feliz do que o próprio dia do casamento”, disse Joaquim Coelho, relembrando os quilómetros que teve de fazer nesse dia a pé e, no fim, a sua festa de casamento foi separada da sua esposa.
Como forma de celebrar a data, o casal renovou os votos na igreja do Souto, seguindo-se a festa no restaurante “Pinhal da Quinta”, rodeados por cerca de 95 pessoas, entre amigos e familiares. “Estiveram mais presentes agora do que no dia do casamento, que foram só uns vinte”, recorda Joaquim.
Mas, afinal, como se “aguentam” 50 anos de cumplicidade? Belmira foi pronta a responder, “o meu marido foi sempre muito boa pessoa. É certo há sempre altos e baixos, mas ainda nos aturamos um ao outro”. Foram pais de cinco filhos e já contam com oito netos e, com uma família constituída, Belmira diz que se comemora uma data como estas “como mais sentido”.
Quem também festejou as bodas de ouro foi Joaquim Mendes Júnior e Maria Augusta Santos, residentes em Moita da Roda.
Joaquim, toda a vida foi resineiro e Augusta, dona de casa. Com quatro filhos e sete netos - com o oitavo a caminho – este casal refere-se ao seu casamento com um brilho nos olhos, como se se tratasse dos primeiros tempos de namoro. “Graças a Deus, temos vivido sempre muito felizes”, refere Augusta. No dia 7 de Fevereiro, o casal reviveu um dia em que deram o nó. “Revivemos o nosso casamento outra vez”, disse Joaquim. Renovaram os votos na capela da Moita da Roda, e de seguida a festa continuou num restaurante em Carvide e na companhia de cerca de 35 familiares. “Não pudemos convidar todos os que queríamos, se assim fosse, seríamos 140 pessoas”, desabafou Augusta.
“O meu filho que está na Alemanha colocou uma faixa na rua, na parede, e enfeitou a casa com balões”, contou Joaquim, sorrindo ao relatar o sucedido.
Quanto ao segredo da longevidade na relação, Augusta disse que a receita é muito simples, “é preciso haver muito Amor e sabermo-nos corrigir um ao outro”.

QUANDO O AMOR NÃO ESCOLHE IDADE

Quando se conheceram, ele estava viúvo e tinha 55 anos. Ela, solteira, tinha 45. Estavam no Verão de 1992 quando se cruzaram pela primeira vez.
Falamos de Preciosa João e Manuel Guerra Santos, residentes no Souto da Carpalhosa, um casal que, celebrou o matrimónio em 1993. Talvez para a maioria, casar nesta idade já seja “tarde”. Mas, Preciosa e Manuel são a prova de que os sentimentos não têm prazo de validade.
Manuel contou-nos como conheceu Preciosa. Tinha enviuvado ainda não há muito tempo, quando começou a meter-se com “todas as mulheres que andassem vestidas de preto”, numa forma de estabelecer conversa. Curiosamente, foi assim que conheceu aquela que viria a ser a sua esposa. Preciosa andava vestida de preto, pela alma de sua mãe, e um dia, no regresso do trabalho, Manuel parou ao lado dela e, fazendo-se de perdido, pede-lhe algumas indicações. E foi aqui que se estabeleceu o primeiro de muitos contactos. “Dias mais tarde fomos jantar fora, mas estávamos tão nervosos que nenhum dos dois jantou”, conta Manuel, entre risos.
Depois de um ano de namoro, Preciosa e Manuel decidiram dar o passo mais sério e casar. “Quando fomos tratar dos papéis para casar, a senhora que lá estava olhava muito séria para nós”, disse Manuel, referindo-se à estranheza que os outros podiam achar por estarem a contrair matrimónio.
Hoje, 15 anos depois de darem o nó, estão os dois reformados, mas não é por isso que têm menos trabalho. Há sempre coisas para fazer.
“Nós somos a prova de que o amor não tem idade”, afirma Manuel. Preciosa partilha da mesma ideia do marido e afirma que “vai-se sempre a tempo para namorar”.
Idades diferentes, experiências de vida diferentes, mas um sentimento em comum.


MISSÃO: SERVIR A FREGUESIA

Depois de três meses com nova direcção, o NOTÍCIAS DA FREGUESIA foi conhecer um pouco o Centro Social e Cultural da Paróquia de Souto da Carpalhosa. Falamos com José Baptista, pároco da freguesia e presidente do Centro Social e com Joaquim Guarda, director de serviços, para conhecer um pouco mais a instituição de solidariedade social. Qual o seu papel na comunidade, quem faz parte dele, quais as suas necessidades, que projectos futuros…
O Centro Social e Cultural da Paróquia de Souto da Carpalhosa existe enquanto instituição de cariz social, tal qual a própria designação o indica, regendo-se pela doutrina social da Igreja. Tal como Joaquim Guarda afirma, o papel do centro “é apoiar as pessoas e a família dentro daquilo que mais precisem”. À semelhança do director de serviços, também o pároco se refere ao papel e à importância da instituição social, uma vez que busca “criar condições para que as crianças e os idosos se sintam acolhidos. Os pais possam ir trabalhar e viver cada dia confiando que os seus filhos e os idosos estão ‘em boas mãos’ e a ser cuidados como pessoas humanas que são”, afirma. Para além destas funções, existem ainda inúmeros apoios que vão surgindo à medida das necessidades e das solicitações provenientes da comunidade, como é exemplo o Programa Comunitário de Apoio Alimentar a Carenciados ou o Complemento Solidário para Idosos.
“É importante que as pessoas saibam que um Centro Social existe para servir as pessoas”, afirma Joaquim Guarda, destacando o papel do Centro Social na comunidade. “O Centro é e será aquilo que as pessoas quiserem que seja”, disse.
Ao longo do ano o Centro Social vai dinamizando várias actividades e iniciativas. “Procura-se que, tanto as crianças como os idosos tenham as actividades possíveis dentro do tempo e das condições que temos”, afirma o presidente. Por altura do Natal, uma quadra tão especial e tão “chamativa” da solidariedade, também são realizadas várias actividades, nomeadamente a habitual festa da creche e jardim, como do lar. No Natal passado, as principais “vedetas” na festa do lar foram “os netos que tiveram a coragem de fazer algumas coisas para os avós, utentes do lar”, conta-nos o pároco.
Quanto ao futuro do Centro Social, o pároco avançou que é intenção remodelar completamente a parte mais antiga do lar, de forma a criar melhores condições no acolhimento e tratamento dos utentes do lar e do Centro de Dia. Outro projecto a avançar, centra-se na realização de um inquérito à população para conhecer as reais condições e necessidades da população.
Ainda sobre o papel do Centro Social no seio da comunidade, e mais especificamente no que respeita ao lar, Joaquim lembra que “em momento algum, o Centro Social substitui o papel da família e os laços familiares”, pois o Centro deve ser visto como um apoio e não uma ‘substituição’. “É importante que as pessoas se lembrem que, por uma pessoa estar num lar, não está esquecida!”, afirma.
Sobre necessidades do Centro Social, o padre José Baptista disse que este “tem as dificuldades que tem qualquer instituição”. “Deveria haver mais dinheiro, para os utentes pagarem menos e poderem manter-se outras valências e prestar-se outros serviços”, disse. Contudo, para o pároco, o Centro Social tem o essencial pois “só actua consoante as suas possibilidades”. Também sobre as carências da instituição, Joaquim Guarda refere que cada vez há mais solicitações junto do Centro Social, algo que se agrava com uma população cada vez mais envelhecida na freguesia. “Há uma necessidade, cada vez maior, de mais respostas”, refere. O director de serviços afirma que, por tudo isto, “há sempre trabalho a fazer e há sempre coisas que são precisas”.
Para um ano que ainda agora está a “arrancar”, José Baptista afirmou que gostaria de ver o projecto de remodelação do lar concluído e que este novo ano trouxesse uma maior interactividade entre o Centro Social e os paroquianos. Contudo, para este, “o ideal seria que o Centro Social não fosse necessário, era sinal de que havia condições de vida ideais”. Por sua vez, Joaquim desabafava que gostaria que “no mínimo 2009 não seja tão difícil como 2008, sobretudo para as famílias” e deixou igualmente o repto para que haja maior união e associativismo entre todos na freguesia. “O Centro Social sozinho não é nada”, finaliza Joaquim Guarda.

Membros da direcção do Centro Social e Cultural da Paróquia de Souto da Carpalhosa
Presidente: Pe. José Baptista
Vice: Francisco Francisco (Conqueiros)
Secretário: José Duarte (Vale da Pedra)
Tesoureiro: Cristina Pereira (Souto)
Vogais: Eulália Duarte (Várzeas) e Rogério Santos (Carreira).

A VOZ DOS UTENTES...
Para conhecer um pouco mais o Centro Social, e o seu papel activo na comunidade, o NOTÍCIAS DA FREGUESIA foi falar um pouco com alguns idosos do Lar do Souto. Se o tema para a conversa era a tão ‘famosa’ crise – o panorama actual e como se vivia noutros tempos – a conversa foi muito para lá do tema previsto, transformando-se numa tarde agradável de partilha. Deixamos aqui um pouco daquela que foi uma tarde bem passada com os mais velhinhos…

Maria Joaquina Armindo, 66 anos, Ortigosa
Maria Joaquina está no Centro de Dia, e ao perguntarmos se havia crise, foi pronta e firme a declarar, “Agora há crise? No meu tempo é que havia crise e passava-se melhor do que agora! Agora anda tudo ‘levado da porra’!”. Durante a longa conversa, Joaquina mostrou-se algo indignada com o panorama actual, pois, para ela, é inconcebível contrair empréstimos para, por exemplo, ir de férias. “Não se tem, não se vai”, afirmou. “Crise… crise… sou do tempo em que uma sardinha era para quatro ou cinco pessoas e a cabeça era para duas!”, relembrou. Mas, Joaquina, apontou ainda o dedo aos responsáveis, dizendo que “nós, pais e avós, é que os habituamos mal…Tentámos dar tudo, e agora somos os maus da fita.” Quanto ao futuro deste panorama, apenas declarou que “por melhor, ninguém espere”.

Maria de Jesus, 90 anos, Chã da Laranjeira
Maria de Jesus está no Lar do Souto há cerca de sete meses. Puxando pela memória, Maria afirma que, no seu tempo, não era assim, “havia crise, mas de outras coisas. Agora tudo mudou, e nada para melhor”. “As pessoas habituavam-se a viver consoante o que tinham: uma couve, uns feijões, uma sardinha… mas que esse tempo não volte nunca mais”, afirmou. Também um pouco saudosista da sua jovialidade, Maria contou que, no seu tempo, todos eram mais poupados. “Passávamos sem ir a uma festa e a nossa melhor roupa era lavada ao sábado para a vestirmos ao domingo. Vivia-se conforme as posses”, declarou.

Aleixo Ferreira, 83 anos, Souto da Carpalhosa
“O que há mais é crise!”, começou logo por afirmar. Sempre muito simpático, Aleixo relembrou um pouco como era a crise há uns anos atrás. “Também havia crise, mas não era como agora, a malta não andava como anda hoje”, disse. Querendo mostrar que todo este cenário é consequência de hábitos, Aleixo afirmou que “as pessoas deviam habituar-se a viver com o que têm”. Quanto ao futuro, quis ser um pouco realista dizendo que “a crise não vai acabar tão depressa. A ver-se fábricas a fechar e o desemprego a aumentar? É rezar e esperar dias melhores”.

Idalina da Silva, 86 anos, Monte Real
Já habituada aos ares do lar, com oito anos de casa, Idalina sussurrou de imediato: “Dizem que ela anda aí…”. Mais uma vez, e falando de crise noutros tempos, veio o exemplo da sardinha. Para Idalina, se antigamente se pecava por defeito, agora é por excesso. “No meu tempo, era uma sardinha para três ou quatro, e todos queriam a cabeça que dava para dois, agora até comem sete ou oito de uma vez!”, conta. Afirmando que as pessoas “querem viver conforme não podem”, Idalina teme que o cenário tende a piorar, pois “os grandes querem ordenados cada vez maiores, e quem não tem emprego… coitado”. “Antes vivia-se melhor. Em minha casa éramos sete e nunca se passou fome. Agora querem só luxos e esquecem o básico, como a comida”, rematou.

UM ANO, DOZE MESES DE NOTÍCIAS...

... no distrito de Leiria
Janeiro – Monte Real e Fátima surgem como opções para aeroporto regional. População da Batalha abre “guerra” à construção de mais uma linha de muito alta tensão no concelho. Grupo Lena investe 20 milhões para reabilitação das Termas de Monte Real.
Fevereiro – Com a nomeação de José Miguel Medeiros para secretário de Estado da Protecção Civil, Paiva de Carvalho assume funções de governador civil.
Março – Primeiro-ministro vem a Leiria anunciar a construção de cinco novos eixos rodoviários, a construir até 2011. Acidente deixa Monte Redondo de luto – quatro mortos na passagem de nível de Montijos.
Abril – Centros Comerciais: Na rodoviária, na Avenida Heróis de Angola, prevêem a obra pronta em 2011 com a abertura do Leiria Fashion Street. Também para o mesmo ano está prevista a abertura do mega-centro comercial que, para além desta superfície, abarca um novo mercado municipal, um pavilhão multiusos, o maior Jardim de Leiria, bem como concluir o topo Norte do Estádio da cidade. Falamos do Forum Leiria.
Maio – Abertura do último lanço, Louriçal-Mira, da auto-estrada A17. São 60 km de auto-estrada com cinco nós de acesso. União Desportiva de Leiria desce à Liga de Honra.
Junho – Campeonato Mundial de Orientação esgota unidades hoteleiras na região, trazendo cerca de 3.500 atletas oriundos de 40 países. Descargas de pecuárias põem em risco água e terrenos agrícolas. Aumento dos combustíveis: paralisação dos camionistas instala pânico e provoca corrida às gasolineiras e supermercados.
Julho – Nematode ameaça Pinhal de Leiria. Os pinheiros bravos no distrito de Leiria são afectados por parasita que põe em causa a existência do Pinhal de Leiria. Novos investimentos no comércio da cidade de Leiria prometem causar impacto no mercado de trabalho até 2012, gerando cerca de 4350 novos postos de trabalho.
Agosto – Empresas da região investem 50 milhões em novos projectos. Os incentivos destinam-se a áreas como inovação produtiva, qualificação, empreendedorismo, investigação e desenvolvimento tecnológico. Violência doméstica – no primeiro semestre de 2008 a PSP e GNR de Leiria receberam 529 participações de vítimas de violência doméstica.
Setembro – Abre a primeira farmácia hospitalar do país, no Hospital de Santo André. Dois mil milhões de euros para investimento, na zona Oeste da região, que o Governo, municípios e privados se comprometeram a canalizar até 2017. Estado e universidades estudam viabilidade de abertura da Base Aérea de Monte Real ao tráfego civil.
Outubro – Febre do “Jogo da Bolha” alastra na região. A busca pelo dinheiro fácil, também como reflexo da crise, torna Leiria a capital do “Jogo da Bolha”. Topo nacional em acidente de viação. Leiria ocupa o primeiro lugar no que toca ao número de sinistros ocorridos face à população residente.
Novembro – Distrito destaca-se, a nível nacional, nos resultados do ranking nacional dos exames nacionais. O tema da crise, que afecta o comércio, é também manchete nos regionais. Na região os mais “endinheirados” começam a fechar cordões à bolsa. Mais poupanças e menos compras. Também em Novembro merece destaque a maior paralisação de sempre no Ensino: a greve dos professores mobilizou cerca de 93% dos docentes da região.
Dezembro – A mulher mais velha o mundo é de Ourém e festejou 115 anos. Maria de Jesus completou esta idade em Setembro. Contudo, foi em Dezembro que ganhou o estatuto de pessoa mais velha o Mundo, após a morte da norte-americana Edna Parker, também de 115 anos.

... na freguesia do Souto
Janeiro – Aniversário do agrupamento de escuteiros do Souto da Carpalhosa. O agrupamento 1112 comemorou o seu 12.º aniversário, promovendo um festival de sopas.
Fevereiro – Especial de Carnaval – as crianças desfilam mascaradas pelas ruas do Souto.
Março – Notas falsas em circulação. Foram detectadas algumas notas falsas, no valor de 20€, em pagamentos realizados na farmácia Ferreira da Silva, do Souto.
Abril – Rally do Vidreiro passa pela freguesia. A prova do desporto motorizado organizado pelo Clube Automóvel da Marinha Grande teve a primeira classificativa nos Campos do Lis.
Maio – Kit de combate a incêndios. A Junta de Freguesia do Souto da Carpalhosa foi uma das freguesias do concelho a ser contemplada com Kits Florestais de Primeira Intervenção de Combate a Incêndios.
Junho – Bênção da ala poente do cemitério do Souto. No evento estiveram presentes, para além de José Carlos Gomes, presidente da Junta de Freguesia do Souto, Isabel Damasceno, e os vereadores Fernando Carvalho e Neusa Magalhães.
Julho – Mulheres assumem “comando” nas festividades do Souto da Carpalhosa. Junta de Freguesia organiza, pelo segundo ano consecutivo, o passeio de seniores. Casal do Estremadouro cai no conto do vigário e é burlado em cerca de três mil euros.
Agosto – Comboio leva filarmónica a percorrer as ruas do Souto na recolha de andores na festa do lugar. Charneca do Nicho recebe o Jamborre’08 num evento de uma semana que reuniu cerca de 1400 escuteiros.
Setembro – Tasquinhas da freguesia repetem sucesso. Pelo terceiro ano consecutivo realizou-se o já famoso certame da freguesia: as Tasquinhas. Mais uma vez, foram milhares os que por lá passaram.
Outubro – Obras para a nova casa paroquial arrancam. Foi demolida a casa antiga e a construção da nova casa arranca a “todo o gás”. Também neste mês é inaugurado o ajardinamento junto à Igreja do Souto.
Novembro – Antecipamos a quadra e preparamos-lhe uma Ceia de Natal sem sair da freguesia. S. Martinho reúne Várzeas junto à capela. Também no Picoto a paella, as castanhas e a água-pé é motivo de reunião na sede da associação.

2008: O MELHOR E O PIOR

Mais uma vez, o NOTÍCIAS DA FREGUESIA foi para a rua. Desta vez, fomos procurar fazer um pequeno balanço do que foi o ano de 2008. O melhor e o pior do ano…

Arminda Silva Lopes, Jã da Rua
+ De positivo em 2008? Sinceramente, acho que não houve nada!
- Este ano foi um ano triste, com pouca luz, com poucos clientes (é proprietária do café Gomes). Aqui neste lugar, se faz um bocadinho de vento e de chuva, já não há electricidade… e depois não há café e, por consequência, não há clientes. E meios de transporte? Aqui mal passa um autocarro… Também a crise financeira foi uma das coisas mais negras deste ano…

Belmira Reis, Picoto
+ Não encontro nada de bom em 2008…
- Houve tantos atentados, crimes todos os dias… e o pior de tudo foi mesmo a crise financeira, que não afecta só a nível local, mas mundial! Depois, todos os dias se assistia a mais desemprego, fábricas a fechar… Já para não falar do aumento do ordenado que não acompanha os reais aumentos. Agora há só pobre e ricos. A classe média acabou.

Joel Mendes, Moita da Roda
+ 2008 foi mais um ano que passou… Para mim foi um ano de mudança, pois consegui entrar na Universidade, e este sim, foi um factor marcante. Na Universidade fazem-se novos amigos, e são estes que nos vão acompanhar na nossa vida académica. Este ano fica também mundialmente marcado pela vitória de Barack Obama às eleições dos EUA.
- A crise financeira e o mau estar económico que se travessa. Este ano acho que tocou a todos.

Sara Caetano, Carpalhosa
+ A construção da minha casa e a realização a nível profissional, uma vez que estou a trabalhar naquilo que realmente gosto de fazer. A descida – recente – do preço dos combustíveis também é bastante positivo.
- A crise financeira, sem dúvida. Ninguém ficou indiferente ao panorama mundial que atravessamos. Também o desemprego acho que foi muito negativo e, obviamente, também foi causa e consequência da crise financeira.

FORMAÇÃO É APOSTA GANHA

Formação. Nos dias que correm todos procuram obter um pouco mais de formação, ou o reconhecimento das competências adquiridas ao longo de uma vida. O mercado de trabalho torna-se mais exigente, e até mesmo a valorização pessoal de cada um, também.
O NOTÍCIAS DA FREGUESIA foi conhecer o processo de reconhecimento de competências que tem decorrido no Souto da Carpalhosa que, tem sido um sucesso. Fomos falar com técnicos, para nos explicarem como se processa tudo isto, e com formandos de RVCC para sabermos quais as suas motivações.
Na nossa freguesia, as pessoas juntaram-se e junta cedeu as instalações. Por fim, foi só pôr mãos à obra.
Foi no Centro Novas Oportunidades, do Centro de Formação Profissional de Leiria, que fomos encontrar Hélio Sousa e Cristina Ramalhal, dois dos responsáveis pela formação profissional em Leiria. Hélio Sousa, técnico de RVCC de um dos dois grupos no Souto da Carpalhosa, começou por referir que após uma primeira sessão de esclarecimento sobre o que é o RVCC, a afluência foi tal que houve necessidade de constituir um segundo grupo de trabalho. “No caso do Souto, o processo está a decorrer com bastante entusiasmo”, afirmou Hélio.
Mas, afinal, o que é o RVCC? O RVCC – Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências – é um processo que permite valorizar as aprendizagens adquiridas ao longo da vida, nos diferentes contextos em que esta se desenrola, seja em casa, no trabalho, no seio dos amigos, família…, atribuindo equivalência aos níveis de escolaridade do 4.º, 6.º e 9.º ano.
O processo de RVCC não se deve confundir com o processo de ensino normal. Tal como explica Hélio Sousa, “no ensino dito normal aprende-se competências novas, no processo de RVCC existe o reconhecimento de competências já adquiridas”. No caso particular do Souto, Hélio referiu ainda que a média da faixa etária dos formandos é entre os 35 e os 45 anos e, na maioria, trata-se de pessoas empregadas. No que respeita ao empenho, “no Souto existe muito à vontade, muita motivação e muita empatia”, declarou.
Cristina Ramalhal refere que a ideia a reter é que o processo de RVCC é o oposto da vida escolar: na escola aprende-se, no processo de RVCC demonstra-se o que a vida ensinou. “É um processo que procura fazer justiça aos conhecimentos aprendidos ao longo da vida”, disse.
Ao longo de 12 sessões semanais, com a duração de 2,5 horas cada, com uma equipa constituída pela técnica de RVCC e formadores das diferentes áreas de competência-chave, os formandos são apoiados na construção de um dossier pessoal de competências que deverá reflectir o conjunto de aprendizagens que a experiência de vida lhe proporcionou.
Este processo de validação de competências destina-se a todos os maiores de 18 anos, activos ou desempregados, que não tenham a escolaridade obrigatória. Como o conhecimento e a experiência de vida de cada um é diferente, foram criadas áreas de competência-chave sobre as quais se organiza todo o processo: Linguagem e Comunicação, Cidadania e Empregabilidade, Matemática para a Vida e Tecnologias de Informação e Comunicação. É com base nestas competências-chave que os formandos vão elaborando o seu dossiês de trabalho que será apresentado no final e que lhes dará direito à validação final que legitima, ou não, a demonstração de competências.
O processo de RVCC é preciso ter em conta que não se trata de uma escola. Não há professores, mas sim formadores. Não há aulas, mas sim sessões.
Tal como foi referido, uma das competências é a informática, mais concretamente as Tecnologias de Informação e Comunicação, e tal como os alunos do ensino normal têm direito ao acesso a computadores portáteis a baixo custo, também os formandos de RVCC têm a mesma oportunidade o que, para quem começa a aprender a trabalhar com a informática e lhe ganha gosto, é bastante vantajoso.
Para já, estão previstas novos processos de RVCC, para novos formandos, que irão decorrer já no início do ano, entre Janeiro e Fevereiro.

O NOTÍCIAS DA FREGUESIA falou também com dois formandos do RVCC no Souto da Carpalhosa, Margarida Jordão e Ricardo Bicho.
Margarida Jordão, da Moita da Roda, tem 43 anos e trabalha na área de seguros. Com o 6.º ano de escolaridade, Margarida sempre quis ir mais além na aprendizagem. “Apesar de estar empregada, achei sempre muito importante a formação”, disse. Ouviu falar no programa “Novas Oportunidades” e foi aí, depois de procurar a devida informação, que começou o passa-a-palavra para que fossem reunidas as condições necessárias – número de formandos considerável – para que a formação se realizasse perto de casa, neste caso, no Souto da Carpalhosa. Assim foi. Para a formação de uma turma eram necessárias cerca de 15 pessoas, número limite de cada grupo para reunir as condições ideais. Contudo, a aceitação na freguesia foi tal que foi necessária a criação de duas turmas. Margarida contou-nos como se processa a primeira entrevista, individual, e todo o processo de RVCC, até à validação final dos trabalhos. Esta formanda frisou que, acima de tudo, o que a motivou, foi o desejo de ver reconhecida a aprendizagem que se vai adquirindo e, claro está, obter o 9.º ano. “Estou a gostar bastante e recomendo a todos os que queiram obter mais qualificação”, afirmou, declarando ainda que “o dinheiro não é justificação para não ir porque, afinal, só se pagam 5 euros para contrato e imposto”.
À semelhança de Margarida Jordão, também Ricardo Bicho está empregado, no sector da mecânica de automóveis, mas, mesmo assim, também procurou obter mais qualificação. “Só fiz o 5.º ano e sempre achei importante obter mais”, disse. Este jovem do Picoto, de 34 anos, lembra que o importante nas sessões de RVCC é “mostrar o que aprendemos ao longo da vida”. Ricardo tem vários amigos e vizinhos a fazerem o mesmo reconhecimento, e uma coisa garante: “ninguém diz que não está a aproveitar”. “O que muitas vezes custa mais é a falta de tempo. Sou marido, pai, tenho emprego… mas mesmo assim, arranja-se sempre tempo. Com um bocadinho de esforço, tudo se arranja”, disse, sublinhando que o “tempo” não é, propriamente, uma justificação para não entrar no RVCC. Da sua experiência no RVCC, Ricardo sublinha a aprendizagem na área de informática. “Agora, já sei fazer um documento no computador, uma carta, contas, ir à Internet… Hoje em dia para tudo é preciso informática. E eu dei-me muito bem!”, confessou, mostrando ainda alguns trabalhos desenvolvidos para o processo de RVCC. “Hoje estou empregado, amanhã posso não estar. Agora, com a aprendizagem de informática e com o reconhecimento do 9.º ano, acho que tudo se torna uma pouco mais fácil”, disse. A duração do RVCC é de cerca de três meses o que, para Ricardo, “é muito pouco tempo”. Contudo, lembra que “é fantástico ver o que o pessoal evoluiu em apenas três meses”. Tal como Margarida, também Ricardo recomenda o RVCC para todos os que não têm a escolaridade mínima e diz ainda que “devia ser mesmo obrigatório para quem não tem a escolaridade obrigatória ou está desempregado, independentemente da idade!”.

DA JUNTA PARA A UNIVERSIDADE

E por falar em formação e em enriquecimento, o NOTÍCIAS DA FREGUESIA foi falar com Cidalina Reis, um rosto bem conhecido da Junta de Freguesia do Souto da Carpalhosa. Cidalina também decidiu apostar mais na sua formação e, desde Setembro, está a frequentar o curso de Serviço Social na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS) do Instituto Politécnico de Leiria (IPL).

Estás a tirar uma licenciatura em Serviço Social. Porquê a escolha por este curso?
Após sete anos de trabalho na Junta de Freguesia, tomei consciência que os problemas sociais são tantos, que gostaria de dar o meu contributo para a resolução dos mesmos. Esta foi a razão que me levou a optar por um curso relacionado com Assistência Social.

O que te fez, agora que já estás no mercado de trabalho, voltar a estudar? Porquê agora?
Porque foi agora que realmente descobri a minha verdadeira vocação e o que realmente pretendo fazer: trabalhar com a população de Terceira Idade.

Trabalhas e estudas. É difícil ser-se trabalhador-estudante? Como fazes o teu dia-a-dia?
Muito difícil…. Muito mesmo… Aliás, todos os que têm ambos os papéis têm de fazer uma grande ginástica diária. Há muita coisa no nosso dia-a-dia que deixamos pendente. Principalmente a família… Mas como a minha família entende e me apoia bastante… é sempre um esforço reconhecido e conto sempre com o apoio incondicional deles.

O que estás a achar do teu curso e da formação que estás a adquirir?
Além do curso ser muito difícil, é também muito interessante e realmente os meus conhecimentos estão a aumentar, sem dúvida.

Esperas vir a exercer alguma profissão na tua área de estudos?
Claro que sim, esse é o meu principal objectivo.

Face ao panorama actual (crise e desemprego) achas que vale a pena investir em formação?
Sempre. Quando realmente nós pretendemos algo temos de ir em frente e não ficar a ver a crise e os anos a passar por nós e lamentarmo-nos do que gostaríamos de ter feito e não o fizemos…

Como sabes, existe muita procura pela aquisição de formação. Veja-se o caso dos RVCC aí na Junta de Freguesia. Qual a tua opinião sobre esta adesão por parte da população?
Desde que as formações de RVCC apareceram a população tem sido positivamente receptiva a este tipo de mais-valias. Sem dúvida que neste momento, na nossa freguesia, as pessoas estão a tomar consciência de que é necessário adquirir mais formação, mesmo que não seja para fins laborais é, sem dúvida, importante para o enriquecimento pessoal.
Deixo aqui o meu apelo a todos os que gostariam de frequentar o RVCC, e outro tipo de cursos, mas muitas vezes dizem que não têm tempo, ou que já não tem idade para isso. Por favor… Querer é poder e sempre que queiramos, conseguimos tempo para o que mais gostamos de fazer. Quanto à idade, não é desculpa para ninguém, pois o saber não é limitado.

Continua a valer a pena estudar?
Sem dúvida que sim. É bastante gratificante e enriquecedor.

EXECUTIVO DA JUNTA FALA SOBRE O NATAL

Já cheira a Natal. Este ano, o NOTÍCIAS DA FREGUESIA quis conhecer a posição do executivo da Junta de Freguesia relativamente a esta quadra. Assim, foram colocadas quatro questões simples, mas que dão para pensar, aos três rostos mais conhecidos da nossa junta. Vejamos os resultados.
1 – Natal é…
2 - Quais as principais diferenças que nota no Natal dos dias de hoje e o da sua infância?
3 – Como e com quem vai celebrar a quadra natalícia deste ano?
4 – Qual era o presente que mais gostava de dar à freguesia neste Natal? E de receber?


José Carlos Gomes, Presidente
1 - … é, para além do dia em que se comemora o nascimento de Cristo, é uma quadra em que as famílias, aproveitando a calma e a paz interior que de tal período transparece, se reúnem para confraternizarem, trocarem presentes, etc. Acho mesmo, e isto é visível no rosto das pessoas, que é a altura do ano em que andam mais alegres e mais disponíveis para ajudarem os que mais precisam. Por isto é que dizemos que Natal deveria ser todos os dias.
2 - Natal hoje, comparado com o da minha infância, é mais consumista. Hoje enraizou-se na sociedade a quase obrigatoriedade de se trocarem presentes, de se fazerem grandes festas familiares, mesmo que não haja poder económico para isso. Hoje até aproveitamos os presentes do Natal para “negociar” com os filhos contrapartidas. Enfim, é preciso é gastar.
Na minha infância era tudo mais calmo. É certo que os tempos também eram outros. Se hoje é difícil, nesse tempo era ainda mais. Todas as casas faziam presépio, e quem “dava” presentes era o “Menino Jesus”, que durante a noite vinha colocar o par de meias nos sapatitos, que na véspera eram deixados estrategicamente junto da chaminé da casa. Os dias que antecediam o Natal eram de uma azáfama tremenda porque cada casa queria ter o presépio mais bonito. Outros tempos!
3 - A quadra natalícia vai ser celebrada em família. Na véspera reúne-se ao jantar a família do lado da minha esposa e no dia de Natal, ao almoço, a minha mais directa. Trocam-se uns presentes e por aqui ficamos.
4 - O presente que mais gostava de dar à freguesia neste Natal? Distribuir por todos um presente recheado de paz e ânimo, que bem iremos precisar enfrentarmos os tempos difíceis que se avizinham.
De receber? A certeza de termos no próximo ano a requalificação da escola da Moita da Roda.

Guilherme Domingues, Secretário
1 - … é o nascimento de um menino. De um grande homem que se tornou um mito da Humanidade.
2 - O Natal na minha época era uma quadra em que recordávamos só o menino. Agora é um Natal mais bonito, mais brilhante, com mais luz, mas muito mais comercial.
3 – Com a família mais chegada, em casa e com um jantar tradicional português.
4 – Eu gostava que todos tivessem pão na mesa, e que ninguém tivesse fome. Onde há fome, não há paz. Quanto ao receber, continuar a ter saúde e a família por perto.

Jorge Rodrigues, Tesoureiro

1 - … é um tempo de partilha e reunião familiares.
2 – O Natal de hoje é demasiado consumista. Na minha infância não havia publicidade de brinquedos ou outros artigos como hoje. Nós estávamos limitados a aceitar os pequenos presentes que os pais nos podiam dar.
3 – Tenciono passar este Natal com a minha família e, como sendo tradição a alguns anos a esta parte, cada ano que passa é celebrado em casa de familiares diferentes.
4 – Realmente, o presente que mais se gostaria de dar nestes tempos de crise, em que há algum desemprego e dificuldades económicas, é que isso não se sentisse na freguesia. Quanto ao receber, tudo o que vier por bem, é bem recebido.


PREPARE O SEU NATAL... SEM SAIR DA FREGUESIA

Chegada a época natalícia, começamos todos a pensar nos preparativos para bem receber e acolher a família nesta quadra tão especial.
O ano de 2008 fica um pouco marcado pela crise financeira que se fez (e faz) sentir um pouco por toda a parte. Contudo, não é por isso que deixa de ser Natal.
Face à conjuntura, o NOTÍCIAS DA FREGUESIA foi para a rua, correu os diversos lugares da freguesia, e tudo para o ajudar na preparação do seu Natal.
Assim, deixamos-lhe várias sugestões para preparar as suas refeições para celebrar o nascimento de Cristo e sem sair da freguesia!
Uma vez que esta consulta de preços foi realizada durante o mês de Novembro (dias 20 e 21), os preços podem sofrer alterações. Assim, alguns dos valores apresentados são meramente indicativos, principalmente no que respeita ao preço das carnes.
Para a noite da consoada, as couves com o bacalhau são sempre bem-vindas à mesa. O NOTÍCIAS DA FREGUESIA foi até aos Conqueiros, à mercearia de Fernando Pedro, para começar a reunir os ingredientes necessários para uma bela refeição. Assim, foi nos Conqueiros que encontramos bacalhau graúdo a 11,50€/kg e também, para quem preferir, caras de bacalhau a 5,95€/kg. Sobre estas últimas, o proprietário da mercearia adiantou que a venda das caras pode estar “condenada”. “A venda das caras de bacalhau salgadas está para terminar. A ASAE não permite a sua venda”, adiantou Fernando Pedro.
Mas todo o prato de bacalhau precisa de acompanhamento. Assim, foi na Moita da Roda, na mercearia Santos, que encontrámos batatas a 0,70€/kg. Também as couves ou os grelos são um bom acompanhamento para o bacalhau. Contudo, não foi fácil de encontrar. Grelos, nem vê-los. E as couves… não eram as mais indicadas para acompanhar o prato da consoada. De qualquer forma, aqui fica a indicação: na mercearia Santos, na Moita da Roda, a couve encontrava-se a 1€/kg e na Chã da Laranjeira, no mini-mercado de Fernando Roque, a couve era a 0,70/kg.
Para o dia de Natal, é típico o prato de carne no almoço de família. Desta forma, o NOTÍCIAS DA FREGUESIA foi até ao talho Carnes da Várzea, nas Várzeas, para conhecer os preços da carne. Falámos com Albano Sobreira que logo nos deu a conhecer o preço do peru inteiro, a 3,50/kg, do cabrito, que rondava os 11€/kg e até, para quem preferir, o preço do carneiro, que andava à volta dos 4,60€/kg. E para acompanhar um regalado almoço, ainda fica a sugestão de um bom vinho para acompanhar: um tinto alentejano Eugénio de Andrade (a 6€) ou, para quem preferir vinho verde, um Alvarinho (também a 6€). Estas sugestões também são de Albano Sobreira, das Carnes da Várzea.
E, tal como é natural de uma época de festa, não poderiam faltar os tradicionais doces. No Vale da Pedra, no mini-mercado/padaria/pastelaria UniSilvas, Susana Silva deu a conhecer (e a provar) as tortas de claras – uma novidade recente e muito natalícia. Para além das tortas de claras, que podem ser adquiridas a 4,50€/cada, também ali se podem encontrar as típicas lampreias de ovos a 12€/kg.
E como não há Natal sem Bolo-rei, fomos em busca do mesmo. E tal como era de esperar, a oferta foi variadíssima. O jornal foi até às Várzeas, mais concretamente à Fit’Sabores, e lá encontrou (mesmo a sair do forno) uma oferta muito variada: Coroa de Rei a 12€/kg, Bolo-rei a 10€/kg, Bolo-rei folhado e Escangalhado (semelhante ao Bolo-rei, mas com doce de gila) a 12€/kg.
Subimos mais um pouco, e já no Souto da Carpalhosa, na pastelaria Docebel, encontrámos o Bolo-rei a 11€/kg e o Escangalhado a 10€/kg. Também no Souto, mas agora na pastelaria Virgolino Mendes, o Bolo-rei estava a 12€/kg e o Bolo do Pai Natal a 14€/kg.
Com uma oferta tão rica na nossa freguesia, esperamos tê-lo ajudado a preparar o seu Natal.

CARTAS AO PAI NATAL

Querido Pai Natal!
A nossa turma gostaria que tu conseguisses pôr todas as famílias felizes.
Lembra-te dos que não têm comida e oferece-lha.
Lembra-te dos que não têm roupa e oferece-lha.
Lembra-te dos que não têm casa e oferece-lha.
E já agora, lembra-te dos que não têm brinquedos e dá-lhos.
Não te esqueças de nós que também queremos brinquedos, livros, um computador se puderes…
Também queremos ser felizes.
A turma do 3.º ano da Escola da Moita da Roda

Querido Pai Natal,
Este ano queríamos que desses esperança a todas as famílias do mundo.
Queríamos pedir-te também que, neste Natal, todas as pessoas dormissem debaixo de um tecto e que tivessem companhia, alguém com quem conversar, alguém que lhes desse um carinho, que as tirasse da solidão.
Gostaríamos que neste Natal ninguém sentisse frio, nem fome, por isso, por favor, dá àqueles que precisam roupa quente e comida.
Por favor, poderias terminar com todas as guerras e trazer a paz ao mundo inteiro?
Ficaríamos muito felizes se, este ano, trouxesses saúde e amor a todos.
Obrigado por tudo e até ao próximo ano.
A turma do 4.º ano da Escola da Moita da Roda

Querido e amigo Pai Natal,
Gostamos muito de ti e das prendas que dás a todos os meninos.
Nós gostamos muito de vir à escola aprender. Queremos pedir-te prendas para escola. Podem ser livros, ábacos, computadores, impressora e um quadro branco. Nós vamos dar as coisas que já não usamos.
Queres levá-las para dar aos meninos de África e outros países?
Os alunos do 1.º e 2.º anos da Escola da Moita da Roda

NATAL EM DIFERENTES GERAÇÕES

Nesta edição, muito voltada para o Natal, o NOTÍCIAS DA FREGUESIA foi conversar com pessoas de diferentes gerações sobre o Natal. Como era antigamente? Como se vê o Natal agora? O que acham do Natal? Aqui fica o resumo de conversas bem interessantes, e muito natalícias, entre novos e velhos.

Diana Gaspar, 6 anos, Carpalhosa
“Gosto muito do Natal. O que eu gosto mais é quando faço a árvore de Natal e quando recebo os presentes. Gosto muito de pôr o Menino Jesus e os anjinhos na árvore de Natal. Costumo receber muitos presentes, e dessa parte também gosto muito. A prenda que mais gostava de receber neste Natal era uns patins… mas tenho o pé pequeno… tenho de crescer. Como não pode ser os patins, gostava de ter um daqueles bebés que fazem xixi”.

Cátia Anselmo, 17 anos, Souto da Carpalhosa
“Para mim, o Natal significa um convívio entre a família. Habitualmente, passo o Natal em família. Convivemos num jantar que fazemos juntos. A nossa família vê mais o Natal como um convívio e não uma troca de presentes. Normalmente, dão-nos dinheiro ou rebuçados e os presentes ficam para os mais novos. Acho que o Natal é, acima de tudo, uma época especial. Quanto ao presente que gostaria de receber… ainda não pensei nisso”.

Adriana Ferreira, 12 anos, Souto da Carpalhosa
“Natal, para mim, significa muita coisa. Mas é, acima de tudo, um momento de alegria com os nossos pais. Este ano vou passar o Natal em casa, com a família, e depois em casa dos tios. Habitualmente recebo muitos presentes, costumo receber mesmo muitos presentes, mas o Natal é também um momento importante para reunir a família. Eu acho que as pessoas gostam do Natal por causa dos presentes e do convívio”.

Lara Bicho, 4 anos, Picoto

“Gosto muito do Natal. Mas o que eu gosto mais são os presentes. Ainda não fiz a árvore de Natal, mas vou fazer. Já pedi duas coisas para o Natal: um piano e um computador do urso Panda. Ainda não fiz nenhum desenho para o Pai Natal e nem me apetece fazê-lo… o pai faz porque trabalha muito depressa (risos). Gosto muito de natais… e quando o Pai Natal chegar eu vou dar-lhe um abraço, como dou ao Zacarias – proprietário de uma quinta de animais.

Maria Pereira Carreira, 72 anos, Camarneira
“O Natal no meu tempo? Então, éramos sete filhos e eu era a mais velha. Na noite de Natal comia-se junto ao lume e rezava-se o terço. Nesse dia, havia sempre para comer alguma coisa de diferente, alguma coisa de especial: um coelhinho estufado ou uma galinha… Não havia cá prendas para ninguém! Também não íamos à missa na véspera, porque a capela ficava muito longe para irmos a pé, então, ia-se no dia seguinte. Nesse dia, lá nos calhava andar com uma roupita melhor. Agora? Agora só se pensa nos presentes…”

José Gomes, 80 anos, Souto da Carpalhosa
“Éramos sete filhos e passava-se à lareira… numa casa construída ainda por adobos. Jantava-se ao lume, comia-se uns feijões com umas batatinhas e azeite cozinhados ao lume, numa panela de ferro. Depois, ou na noite de Natal ou no dia, íamos todos à missa beijar o Menino Jesus. Eram outros tempos… tudo era diferente e comia-se das terras. Para este Natal só desejo muita saúde, muita paz e alegria com os filhos todos e os netos”.

Maria Rosa, 78 anos, Picoto
“No Natal a prenda dos meus pais era carinho. Íamos à missa beijar o Menino Jesus. A comida nesse dia era sempre diferente, mais especial. Lá se fazia galinha ou coelho, mesmo que nos outros dias não houvesse nada para comer. A minha mãe fazia umas filhós com farinha de trigo criada na nossa terra e estreava-se uma roupinha nova para ir beijar o Menino. Ainda não se usava o sapato na chaminé e o Pai Natal ainda andava escondido. Era sempre um dia especial, um dia de festa. Assim se viviam os natais de antigamente. Hoje perdeu-se um pouco o espírito do Natal. Já são poucos os que levam as crianças a beijar o Menino Jesus.”

Manuel Gaspar Antunes, 76 anos, Várzeas
“Em garoto, às vezes no Natal lá nos calhava levar porrada (risos). Éramos oito irmãos e não havia televisão. Comíamos todos à lareira e, às vezes, lá calhava comer alguma coisa diferente. Depois, lá íamos à missa, como ainda faço agora! Agora, é diferente. Este ano conto passar o Natal em casa de um dos filhos, ou então fujo com a minha mulher (risos). Hoje os miúdos só pensam em prendas, é verdade. Mas também, se a gente as puder dar, damos! No meu tempo havia lá alguma prenda… uma chapada, às vezes! E bem havendo pão já era uma alegria!”.

INAUGURADO AJARDINAMENTO JUNTO À IGREJA

No dia 5 de Outubro foi inaugurado o ajardinamento envolvente à Igreja do Souto. Com cerca de 60 pessoas presentes no largo da Igreja, a obra foi inaugurada com a presença de convidados ilustres, nomeadamente a presidente da Câmara Municipal de Leiria, Isabel Damasceno, e a vereadora Isabel Gonçalves. Agora, já é possível ver de longe a Igreja da freguesia.
Após uma pequena visita à volta da Igreja para se ver a conclusão da obra, tomou a palavra o pároco da freguesia, Pe. José Baptista, que desde congratulou o lugar pelo resultado da obra. “Dá gosto ver da auto-estrada o nosso espaço de Igreja”, afirmou. O pároco salientou também a importância de “preservar para manter o belo” e para ter sempre um espaço agradável para que se possa descansar. Por fim, aproveitou ainda para agradecer a todos os que colaboraram com a iniciativa: Câmara Municipal de Leiria (CML), Junta de Freguesia do Souto da Carpalhosa e Comissão da Igreja.
O engenheiro Noé, responsável pela obra, tomou a palavra e referiu que este foi um dos poucos projectos em que viu “sinergias para a edificação da obra”. Para o representante da equipa de projectistas, “o Souto vai continuar a ser beneficiado com uma obra com realce para a terra”.
Também o nosso presidente de freguesia, José Carlos Gomes, salientou a “conjunção de esforços para a realização desta obra”, num projecto em que todos estiveram de mãos dadas para a sua concretização. “A obra nasce, a obra fica”, rematou.
Por fim, foi a vez de Isabel Damasceno deixar algumas palavras nesta data. “É com muito gosto que aqui estou a assistir aos arranjos à volta da Igreja. É com pequenas obras que são vão construindo as comunidades”, afirmou a presidente da CML, referindo ainda a “melhoria significativa do centro do Souto”. “Este espaço estava abafado”, disse.
Para Isabel Damasceno, a equipa projectista estava de parabéns pelo resultado conseguido, e era a hora de “felicitar a ousadia da ideia e o resultado da obra”.
Agora, para que o arranjo fique completo, estão só em falta os bancos de jardim, para que, comodamente, aquele espaço, enquanto centro cívico, possa ser melhor aproveitado. Tal como Isabel Damasceno referiu, “quando tivermos banquinhos ficará bem melhor”.
Para dar continuidade à festa, no fim da visita à obra e das palavras proferidas, houve tempo para convívio com um porco no espeto que reuniu a freguesia.



Opiniões


Esta obra é uma mais-valia para todo o Souto e, claro está, para a paróquia. São coisas bonitas como esta que acabam por encher a alma. Atravessamos um momento de crise e precisamos de coisas que embelezem e nos dêem algum ânimo.



Isabel Santos, Picoto





Isto está muito bonito, muito mais alegre. Estava muito isolado, não se via a nossa igreja. Agora sim, está bonito. Só faltam mesmo uns banquinhos para ficar ainda melhor. É importante que este tipo de iniciativas não pare.



João Clara Duarte, Souto da Carpalhosa






OBRAS JÁ ARRANCARAM

A casa paroquial do Souto da Carpalhosa está já em construção. Por iniciativa do Conselho Económico – constituído por um representante de todas as igrejas da paróquia – as obras de que há muito se falava na freguesia iniciaram este mês.
O NOTÍCIAS DA FREGUESIA foi falar com o pároco do Souto da Carpalhosa, Pe. José Baptista, a propósito de uma obra que não tem gerado consenso entre a população.
Durante esta conversa, que decorreu na sede dos escuteiros do Souto, local onde agora é o ponto de encontro com o pároco, foi desde logo confirmada a possibilidade que chegou a ser equacionada de construção de uma nova casa paroquial e recuperar a já existente com o intuito de se tornar um museu. Contudo, impôs-se a questão de quem iria reconstruir esta obra e, segundo adiantou o pároco, “a casa estava em condições que a tornariam difícil de manter e um museu não se sustenta a si próprio”. Por outro lado, o Pe. José Baptista referiu ainda a necessidade de a igreja do Souto ser “desafogada”, uma vez que a casa paroquial se encontrava muito perto desta. O nosso pároco referiu também que havia a possibilidade de construir uma casa nova mais afastada, mantendo a antiga, contudo, “a prioridade seria a construção da casa nova e, enquanto se fazia a mesma, a velha acabaria por cair”. “Mais ano menos ano a casa acabaria por cair e, por consequência, a outra ficaria desenquadrada”, afirmou.
Com a construção desta obra, que já está em marcha, a casa paroquial recua cerca de oito metros, libertando a área envolvente à igreja, e permitindo, ainda, que no futuro de construa um centro pastoral, com salas de catequese, enquadrado num plano que mantenha um espaço aberto em redor da igreja e que, por outro lado, defina um espaço de “adro” bem delimitado.
A característica que destaca esta nova casa, prende-se com a possibilidade de vir a permitir que, num mesmo espaço, se possam juntar e albergar vários padres da mesma vigararia. Esta forma de viver em comunidade será também uma resposta que se pretende dar face à falta de vocações sacerdotais, uma realidade cada vez mais presente no seio da Igreja. “Esta será também uma solução mais viável. Se houver três ou quatro padres a viverem em conjunto, é uma casa só que se tem de sustentar”, afirmou, para além de que a nossa paróquia é um espaço central na vigararia.
Porquê agora? Tal como se sabe, a obra em causa já era discutida há muitos anos, no entanto, foi por mão do actual Conselho Económico – que está representado até ao final do ano – que se decidiu pôr a obra em curso. “Ou era agora ou depois perdia-se. As pessoas desanimavam”, afirmou o Pe. José Baptista. Questionado sobre a previsão de conclusão da obra, a resposta foi clara e simples: “quanto mais depressa, melhor”. “Acredito que não deva levar muito tempo, mas como é óbvio, também só se pode ir fazendo conforme as possibilidades”, rematou.
Sobre a reacção que se tem sentido por parte da população, o nosso pároco afirmou que o apoio é muito grande, pois as pessoas sentem que a obra “é para toda a comunidade”. Contudo, sobre quem se manifestou contra a construção da nova casa e era a favor da reabilitação da antiga, o pároco afirma que respeita a opinião de cada um mas, “esta era a solução mais viável economicamente. Mas, há uma memória que, por consequência, acaba por se perder”. “Manter-se-ia se justificasse, mas julgámos (o Conselho Económico) não ser esse o caso”, referiu.
Relativamente ao passo que se deu para a construção da casa paroquial, o Pe. José Baptista mostrou-se bastante satisfeito, até porque, segundo ele, este passo “já era mais do que uma necessidade”.
Agora, e durante o decorrer das obras, a sede dos escuteiros do Souto é o ponto de encontro para quem se quer dirigir até ao pároco. Há muito que a antiga casa não oferecia quaisquer condições. Segundo o Pe. José Baptista as condições eram tais que, para a realização de reuniões, tinha que se recorrer a casa dos vizinhos. “Há algum tempo tive uma reunião com os padres da vigararia e tive de ir fazê-la aqui abaixo a uma casa particular!”, confessou.
“Estou satisfeito porque acho que esta é uma mais-valia tanto para a paróquia, como para o lugar do Souto”, rematou. A obra vai ser totalmente financiada pela Igreja e pela comunidade. Como tal, serão organizadas campanhas e iniciativas para a angariação de fundos para o financiamento de uma obra que, no fundo, é de todos. Para ajudar nesta causa, já houve uma primeira iniciativa, organizada pelo Conselho Económico e que serviu para comunicar o que estava a ser pensado para a realização da obra e, no dia 5 de Outubro, decorreu no Vale da Pedra um almoço de confraternização.



VALE DA PEDRA ORGANIZA ALMOÇO

Com o intuito de angariar fundos para as obras da casa paroquial, o lugar do Vale da Pedra organizou, no passado dia 5 de Outubro, a primeira iniciativa das comunidades para esta causa. Assim, a comunidade do Vale da Pedra realizou um almoço convívio no qual estiveram, segundo um dos presentes, mais de 250 pessoas.
Para além do encontro e do convívio que se proporcionou, foi possível um saldo de 1.513€, fruto do almoço e de um leilão que se realizou. Também o ofertório da missa desse dia reverteu para esta finalidade, tendo rendido 314,60€. Pelo resultado destas iniciativas, foi entregue em Conselho Económico um total de 1.827,60€.

MOITA DA RODA MANTÉM SUCESSO NAS FESTIVIDADES

As festividades em honra de Nossa Senhora da Saúde decorreram no primeiro fim-de-semana de Setembro, em Moita da Roda. Segundo a organização, os quatro dias de festa correram dentro das conformidades, reinando a animação e a boa disposição. O NF falou com a Maria Helena Lopes, da comissão de festas de 2008, que confirmou o sucesso das comemorações na Moita da Roda. “Houve sempre muita gente. Eu que estive no restaurante, que o diga”, disse-nos a mordoma.
Maria Helena afirmou que “foram dias em que a juventude não foi à cama” com tamanha azáfama. “Agora é tempo de acertar as agulhas”, rematou. Para 2009 já há nova comissão de festas e os preparativos para o ano seguinte já começam a ser trabalhados.
Aqui fica o registo de alguns dos momentos das festas que decorreram em honra de Nossa Senhora da Saúde.









FESTA DAS COLECTIVIDADES E TASQUINHAS DO SOUTO

Pelo terceiro consecutivo realizar-se-ão as Festas das Colectividades e Tasquinhas de Souto da Carpalhosa. Este ano, à semelhança de 2007, estas terão lugar na Charneca do Nicho e segundo a Junta de Freguesia do Souto da Carpalhosa “esperemos que seja, no mínimo, tão bom como no ano passado”.
Serão quatro dias de muita festa e animação, de 18 a 21 de Setembro. “O ano passado tivemos milhares de pessoas na Charneca e era bom que este ano o feito se repetisse”, afirmaram membros da organização frisando ainda que “correu tudo muito bem e as críticas foram muito positivas”.
Na quinta-feira, dia 18, a abertura do recinto será às 19 horas e a noite será animada ao som do duo musical “Big Banda”. No dia seguinte, sexta-feira, será a vez da actuação do conjunto musical “Banda Kroll” a partir das 21 horas. A abertura e inauguração oficial da Festa das Colectividades e Tasquinhas serão no sábado, dia 20, a partir das 18 horas. Neste mesmo dia, a animação musical estará a cargo do duo musical “Irmãos Tarau”. O último dia, domingo, dedica a tarde aos cantares e danças tradicionais actuação dos Ranchos da Freguesia a partir das 15 horas. Nestas actuações subirão ao palco o “Rancho Folclórico Juventude Amiga de Conqueiros”, o “Rancho Folclórico Etnográfico Souto da Carpalhosa” e o “Rancho Folclórico Estrelas das Várzeas”. Para encerrar estes quatro dias de festa, a animação musical irá terminar com a actuação do acordeonista e vocalista “Vergílio Pereira”.
Segundo alguns dos que estiverem (e trabalharam) nas Tasquinhas de 2007, confessam que “só o local era bastante acolhedor pelo facto de estar no meio da natureza”, dizem Christophe Patrício e João Ramos, dois jovens que estiveram na tasquinha do A.C.D.R Várzeas /Moura Emotion. “Antes da realização pensávamos que ia ser um fracasso pela simples razão de que o local ser bastante longe da "civilização", mas tal não aconteceu pois houve muita adesão por parte das pessoas”, afirmam. No fim da festa, os dois são peremptórios em afirmar que o evento surpreendeu “ pela positiva pois não houve incidentes que marcassem as Tasquinhas pela negativa”. Quanto a este ano vão repetir a presença naquelas que no ano transacto foram, segundo os mesmos, “as melhores tasquinhas da região”.
Joel Mendes, da Moita da Roda, confirma as opiniões anteriores. “O ano passado, a segunda edição da Festa das Tasquinhas foi um autêntico sucesso”. Segundo disse ao Notícias da Freguesia, o sucesso foi tal que “nenhuma associação estava à espera de tanta adesão. A prova disso foi o stock de bebidas e comida que cada associação tinha preparado teve de reforçar o seu stock sem fazer intenção disso, o que aconteceu em quase todas”. Também na opinião do Joel, o local é convidativo “pois a Charneca do Nicho é muito bonita”. “Foi bom ver o convívio entre os habitantes da nossa freguesia e de freguesias vizinhas. A satisfação era grande tanto do lado das associações como do lado dos populares”, rematou o jovem.
A organização das Festa das Colectividades e Tasquinhas está à responsabilidade da Junta e Colectividades da Junta de Freguesia de Souto da Carpalhosa. “Convidamos todos a visitarem e a participarem nestas que são as festas de todos”, afirmou a organização.

UNIÃO FAZ A FORÇA

As festividades no Souto da Carpalhosa decorrem já no início do mês de Agosto e, pela primeira vez, a comissão de festas em honra de S. Sebastião e S. Salvador é, na totalidade, do sexo feminino. São quinze as mulheres que, aquando as festas do ano passado, tomaram a iniciativa de subir ao palco e assumir o comando para a organização das festas do ano seguinte e não deixar a morrer a tradição.
"A ideia surgiu no dia da festa. Como não há comissão de antecedência, as mulheres da Rua da Aldeia, que já costumavam levar um andor todos os anos, começaram a reunir-se e a falar com outras mulheres até fazermos as quinze e lá decidimos ir", contou ao Notícias da Freguesia (NF) Lucília Gomes, membro da comissão organizadora e a corajosa que subiu ao palco para segurar a bandeira.
O NF falou com outra "mordoma", São Sobreira, que confessou ao jornal, com um enorme sorriso no rosto, que "está a ser óptimo! Tudo corre pelo melhor". "Claro que houve quem dissesse que não conseguíamos, mas, a verdade, é que desde o primeiro dia ainda ninguém desistiu", afirmou.
Segundo a mesma,"são quinze mulheres mas, a verdade, é que sem os homens e sem o apoio e colaboração da comunidade nós não íamos lá", afirmou, lembrando ainda a importância do apoio do Pe. José Baptista, neste que é o seu primeiro ano enquanto pároco da freguesia do Souto da Carpalhosa.
E o mito de que muitas mulheres juntas causam confusão e conflitos? Parece que aqui não se confirma. "Só se for no dia da festa!", gracejou São Sobreira, reafirmando a ideia de que tudo ‘corre sobre rodas’.
Mas, o facto inédito na composição da organização – pela primeira vez um grupo só de mulheres – teve ainda um toque de magia: serviu para aproximar pessoas. "É engraçado porque se já nos conhecíamos algumas por causa de levarmos o andor da Rua da Aldeia, a verdade é que outras não se conheciam… Éramos capazes de passar na rua umas pelas outras e nem dizer bom dia", disse São, "só por isto já valeu as noites perdidas".
Desde Outubro de 2007 a planear tudo para que, no primeiro fim-de-semana de Agosto de 2008, tudo corresse às mil maravilhas. Organizaram vários eventos para que não fosse só o resultado das festas de Agosto a oferecer algo à paróquia. O primeiro evento foi com um jantar de Natal e um baile de gala em Dezembro passado, seguiu-se uma noite de fados e ainda um jantar cómico. Agora, chega o Dia D.
Programa
As festas em honra do Mártir S. Sebastião e S. Salvador começam na sexta-feira, dia 1, com a abertura do arraial pelas 18 horas. Neste dia, a animação musical, a partir das 22 horas, estará a cargos de três jovens bandas musicais: Iodine, Hatedisposal e Empty Box.
No sábado dar-se-á a abertura de quermesse, bar e restaurante às 12 horas, serviços que funcionarão até ao fim dos festejos. Já ao cair da noite, pelas 20 horas, decorrerá a celebração de Santa Missa. A animação será mais tarde, às 22 horas, com a actução do grupo musical Dualband.
No dia 3, domingo e último dia de festejos, a recolha de andores será realizada a partir das 13h30 acompanhada pela Filarmónica da Ilha. Segue-se a celebração às 15 horas seguida de Procissão. A entrega da bandeira dar-se-á às 20 horas. Será que ao invés deste ano, a comissão de 2009 será composta (só) por homens? O Rancho Folclórico do Souto da Carpalhosa actuará às 20h30 e mais tarde, pelas 22 horas, será a vez da actuação do grupo musical IRA. Antes do encerramento do arraial, que será à meia-noite, realizar-se-á o grande sorteio em que o primeiro prémio é uma moto 4. Segundo a comissão organizadora, durante a manhã de domingo haverá uma surpresa. Como o NF não conseguiu saber o que era, o melhor mesmo será passar por lá.
Para os mais pequenitos brincarem com os seus amigos haverá ainda um insuflável gigante no sábado, a partir das 20 horas, e no domingo, a partir das 17.

Ângela Duarte