É adágio popular essa expressão que diz que “O medo é que guarda a vinha”. Em recente viagem por terras de Israel e Jordânia, pude observar muitas coisas novas e diferentes daquilo com que nos confrontamos no nosso dia-a-dia. Umas ficam na memória porque fazem pensar, outras porque são espécie de aventura ou beleza que se retém com facilidade.
Foi dito que Israel, pequeno país de que dois terços de território são deserto, exporta 60% da sua agricultura que, ao que se diz, é a melhor do mundo. Neste contexto comentou-se que essa é a percentagem que Portugal importa no que diz respeito a produtos agrícolas (confesso ignorância, porque não sei se realmente assim é, mas bem acredito que seja). Alimentação? Bastante boa, pese embora o tipo de temperos utilizados, que não se compadecem muito com alguns dos gostos da nossa gente. Tudo aceitável, no meu ponto de vista. Um dos produtos que me chamou a atenção foi a maçã que como sobremesa nos era facultada, mesmo em hotéis de 5 estrelas. Deliciosas ao paladar, mas sem a beleza do brilho encerado das que se encontram nos nossos mercados e com um tamanho que na nossa próspera União Europeia não seria aceite, em caso algum, dadas as suas dimensões reduzidas. É evidente que sobremesas e doces não faltavam, mas aquelas maçãs pequeninas fizeram-me pensar que aquele país tem o progresso que tem também porque sabe vender o que é mais apetecível aos olhos e consumir o que pode ter um pouco menos de aparência, mas que nem por isso deixa de ser saboroso. Quem, dos mais velhos de nós, não recorda as maçãs que ficavam esquecidas ou como “rabisco” nas macieiras e que por mais pequeninas que se apresentassem tinham um sabor doce e a saber a pouco?
Habituámos a viver no muito sem termos, em muitos casos, passado pelo pouco, sem termos aprendido a dar valor à ausência daquilo que nos não faz falta. A situação económico-social em que estamos a ser forçados a viver faz-nos voltar a um passado indesejável e alerta-nos para um aspecto fundamental da vida humana: a partilha, que muitas vezes não sabemos fazer por generosidade mas que em momentos da história aprendemos a fazer por obrigação e pela impossibilidade de ficarmos insensíveis à situação de ausência de condições que estão na base da dignidade da vida humana e por que irmãos nossos, gente a nosso lado passa.
Pe. José Baptista
ENTRE O MUITO E O POUCO
6 de março de 2009 | Publicada por Notícias da Freguesia à(s) 15:13 0 comentários
Etiquetas: opinião
IDOSOS EM SEGURANÇA
Quem já ouviu falar da falta de segurança sénior? E de falta de segurança infantil? Actualmente, são cada vez mais os “contos do vigário” que enganam e roubam idosos. Os incêndios em casa de pessoas com mais idade resultam sempre de uma pequena distracção ou descuido e, infelizmente, duplicam de dia para dia.
É por isso que hoje, mais do que um artigo de opinião, quero que este artigo se transforme num alerta de sensibilização, quer para as pessoas com mais idade como para as pessoas de menos idade. Enfim, apelo a todos nós! Afinal a segurança é responsabilidade de todos. E também sua!
Deixo por isso aqui alguns conselhos de segurança, nomeadamente de forma a evitar todos os amigos do alheio:
Na rua
- Transporte consigo apenas o dinheiro necessário.
- Evite o uso de forma visível de: de objectos de valor, de carteiras na mão ou até num bolso mais “acessível”.
- Evite circular sozinho na rua, principalmente de noite.
- Procure não dar informações sobre a sua vida a pessoas estranhas.
- Transporte as malas e sacos do lado oposto à faixa de rodagem.
- Circule sempre pelo lado interior dos passeios.
- Mantenha, nos transportes públicos, a carteira e outros bens junto de si.
- Não se deixe convencer e informe a polícia, se for abordado com uma conversa do tipo “conto do vigário”, propondo a troca de escudos por euros ou algo semelhante.
Em Casa
- Deixe as portas e janelas fechadas sempre que sair.
- Coloque um óculo e uma corrente de segurança na sua porta.
- Não deixe entrar pessoas suspeitas ou desconhecidas, sem ter a certeza de quem são.
- Tenha sempre à mão os números de telefone para poder comunicar com alguém, principalmente com a polícia.
- Informe a polícia da sua zona, quando se ausentar de sua casa, por vários dias.
No entanto, em casa podem ocorrer outros riscos, como por exemplo acidentes domésticos ou até incêndios. Por isso:
Elimine os obstáculos do chão, por exemplo: fios eléctricos, plantas, tapetes altos ou soltos.
Porque a sua segurança também depende de Si!
Esteja atenta a estes conselhos.
Seja feliz! Faça alguém feliz!
Gastão Crespo
Publicada por Notícias da Freguesia à(s) 14:31 0 comentários
Etiquetas: opinião
COMO BRINCAVAM AS CRIANÇAS (PARTE I)
Não tenho a faculdade dos talentosos contadores, nem disponho das qualidades necessárias a essa prática, mas como gosto de escrever, quis, modestamente, historiar mais um facto do meu conhecimento, que parece ficção mas não é, nem crónica extraída de revista, não faria sentido, nem teria o mesmo valor!
Não deixo de sublinhar que as histórias, sendo bem contadas, sensibilizam vantajosamente quem as lê, despertam mais curiosidade mesmo sendo simples. Não importa o conteúdo, o que interessa é a maneira como se apresenta.
Dom que me desfalca quando escrevo. Por mais verdades que atire ao papel, não conseguem persuadir, não possuem a força necessária para o intercurso pretendido, sobretudo junto dos monstros contemporâneos!
Assim, e refugiando-me do frio que lá fora se faz sentir, passo o meu tempo sentado face ao meu bloco de manuscritos e, à minha maneira, conto uma história verdadeira daquelas que vivem as crianças na idade primo-escolar, sem emoções fortes, antes pelo contrário, exprimem simplicidade e ao alcance de qualquer leitor, mesmo os mais novos, à condição de não imitarem nunca o desfecho das narrativas que vou contar…
Nos meados do século XX, vivia no Souto da Carpalhosa um garoto que sonhava maravilhas durante as noites escuras dos longos e aborrecidos Invernos quando dormia embrulhado num velho e espesso cobertor e ainda uma manta de retalhos por cima, deitado sobre uma esteira de palha a servir de colchão. O quarto onde “chonava” nos primeiros anos da sua infância era escuro, com uma minúscula janela sem vidros. Fechava-a ou abria uma portinhola de madeira, mal passava a claridade que lhe permitisse ver para se vestir desde que ganhou essa autonomia, calçar-se não era hábito, não tinha com que, por conseguinte, andava sempre descalço!
Quando chegou à idade de frequentar a escola, sua mãe ordenou que mudasse para um quarto com mais luz onde podia fazer os deveres escolares. Dois anos passaram, e, como qualquer garoto na sua idade gostava de brincadeira, mas não era fácil encontrar um consórcio fora dos recreios na escola! Em casa, depois dos deveres escolares devidamente cuidados, surgiram as tarefas de obrigação familiar: enquanto diz fizesse, deveria ir à fonte buscar uma bilha de água para o consumo habitual e depois juntar umas ervas para dar aos coelhos, brincaria, então, se o tempo sobejasse.
A tentação era grande quando ouvia os catraios da sua idade nas proximidades, mas lhe era permitido sair das imediações, limitava-se a brincar só!
No pátio da casa onde vivia com os pais e os irmãos, que eram já adultos, havia uma velha oliveira, já poucas azeitonas dava, mas as que produzia eram grossas e de excelente qualidade para comer, razão porque a mantinham bem estimada apesar dos anos que tinha.
Atraído pela forma que suas braças ostentavam, o nosso miúdo lembrou-se de arranjar sobre elas um disparatado divertimento: com o auxílio de algumas tábuas velhas que encontrara no palheiro existente por detrás da eira, onde habitualmente secavam os cereais, também guardavam aí as batatas e as maçãs estendidas pelo chão, bem entendido não era um local de movimentos constantes, mas quis o atrevimento infantil do pequeno encontrar aí o que imaginou para a construção de um campanário, a realizar sobre o tronco e braças da velha oliveira.
A imaginação era forte, deveria ser concluída o quanto antes. Não impedia os deveres relacionados à escolaridade, mas reconhecendo as reacções dos familiares, o puto anteparava-se de precauções. Calculou todas as peças necessárias à construção da presumível plataforma, a qual instalou servindo-se, igualmente, de alguns pregos encontrados nas reservas utensiliares de seu pai! Seguidamente, imaginou um sino e como deveria instalá-lo. Como não encontrava objecto similar, inventou. Uma roda de madeira colocada horizontalmente na ponta de um pedaço de cana e uma travessa em forma de cruz, duas pequenas diagonais que sustinham verticalmente o mesmo engenho, colocou-o entre duas braças de oliveira em forma de “V” de modo a poder balançar como balançava o sino da igreja que da sua casa podia ver, ouvir e admirar. Concluídas as instalações, faltava agora movimentá-las. Como? Aí vai disto!
(Continua na próxima edição).
Albino de Jesus Silva
Publicada por Notícias da Freguesia à(s) 14:29 0 comentários
Etiquetas: opinião
O SOBREIRO
Ao aproximarmo-nos do centro do Souto da Carpalhosa surgem-nos os dois mais importantes elementos do nosso património cultural, isto é, as principais marcas que nos chegaram dos nossos antepassados. É bom lembrar que não é por acaso que a palavra “património” vem da palavra “pais”.
Refiro-me, evidentemente, à Igreja e ao belo sobreiro existente no início da escadaria que lhe dá acesso. São dois bons exemplos de preservação do que chegou, depois de vários séculos, aos nossos dias. E, é bom lembrar, um povo sem memória e referências só muito dificilmente poderá sobreviver. Esse, aliás, é um dos maiores combates que se colocam aos professores e alunos das nossas escolas, sem esquecer a indispensável colaboração dos agentes culturais.
Fiquei agradavelmente surpreendido com as obras de melhoramento da área envolvente da Igreja, recuperando um espaço nobre desde há alguns anos ocupado por construções de gosto mais que duvidoso. Os responsáveis pelo trabalho agora realizado estão, naturalmente, de parabéns. Ele fez sobressair a sóbria beleza da Igreja, a que dedicaremos uma das próximas crónicas, e as linhas harmoniosas da bela árvore que só uma natureza generosa pode desenhar.
Encontramo-nos, pois, perante os dois mais importantes símbolos do Souto. Ambos tão diferentes e sedutores, dignos merecedores das honras populares. A Igreja, como figura tutelar da comunidade, atravessa o tempo e as gerações que nele se sucedem e a ela se acolhem. O sobreiro, por sua vez, simboliza o respeito e a ligação dos homens com a natureza.
A unir os dois monumentos, chamemos-lhes assim, está o espaço sagrado em que se integram. E, mais importante que tudo isso, sempre nos lembramos deles nos seus lugares, companheiros mudos, mas presentes.
Orlando Cardoso
(orlandocardososter@gmail.com)
Publicada por AD à(s) 14:25 0 comentários
Etiquetas: opinião
POBRES E RICOS
Recordo, com bastante clareza, a imagem do “Tisquim de Caxarias”, um pobre velho, supostamente chamado Joaquim, com um velho saco aos ombros e que semanalmente passava pela minha terra pedindo esmola. Uma ou outra vez, consoante a hora, pernoitava num palheiro ou barracão em que lhe era permitido fazê-lo. Éramos crianças mas não me recordo de alguma vez dele termos tido medo, era pessoa que já fazia parte do quotidiano da terra, não havendo qualquer pejo em o chamar para casa para lhe dar um prato de sopa ao jantar (que agora é chamado de almoço). O “Tisquim” deixou de aparecer e os pobres batedores de estrada em busca de um prato de sopa nunca mais se viram por lá.
Hoje a pobreza continua a ser uma realidade, com cariz diferente e muitas vezes disfarçada: pobres ostentando sinais de poder e riqueza, e ricos apresentando todos os sinais de nada terem. Uns vivem mal, não podendo ser ajudados por não se conhecerem, os outros vivem mal por não terem a capacidade interior de descobri que se pode viver melhor. Tenho manifestado algumas vezes um discordar das campanhas que apenas se fazem no Natal, não me consta que agora nos preocupemos muito com os outros e ainda não passou um mês, mas sinto uma certa tristeza também quando se faz uma campanha para angariar bens de primeira necessidade para os mais necessitados e depois não é com facilidade que sabemos onde os entregar, porque “uns recusam” outros “não precisam”… A pobreza em si é uma indignidade, mas os mais pobres não deixam de ser dignos e ter muita dignidade. O pior está em não conseguirmos reconhecer as nossas reais necessidades e posses, para pedirmos com dignidade ou vivermos com, usufruindo dos bens que temos.
Fiquei de olhos arregalados quando, há dias, numa ida à Câmara Municipal, estacionei o carro, sem ser preciso que me fosse indicado o lugar pelos arrumadores, o que significa que havia lugares, e na saída vi que um dos que lá estavam a dar aos automobilistas o sinal da presença de lugares livres se dirigiu a um carro estacionado, o abriu retirou papéis do tablier deixando-os no chão, pôs um “ticket” de estacionamento no lugar devido, fechou o carro e se dirigiu para o centro da cidade. Terá ido almoçar… já tinha ganho o suficiente? Óptimo! Terá ido comprar tabaco ou beber um café? Tem todo o direito a isso! Terá ido comprar uma dose de droga? Oxalá que não. Mas a minha questão não passa por nada disso. O meu espanto deve-se ao facto de o carro, que tudo leva a crer era dele, além de pagar o estacionamento apenas a partir do momento em que deixou de “trabalhar” e se ausentou, não ser um carro qualquer, mas um bom BMW com matrícula do ano 2000. Afinal aquele homem é rico ou pobre? Fico com a sensação de mais que um homem pobre é um pobre homem que deve ter (ou ter tido) dinheiro mas o não o sabe (ou não soube) administrar. Quem dera que a nossa pobreza fosse apenas material! Mas o maior drama passa a ser quando ela é mais interior que exterior.
Pe. José Baptista
3 de fevereiro de 2009 | Publicada por Notícias da Freguesia à(s) 13:07 0 comentários
Etiquetas: opinião
O HOMEM E A MULHER
- O Homem é a mais elevada das criaturas, a Mulher é o mais sublime dos ideais!
- Deus fez para o Homem um trono, para a Mulher, um altar. O trono exalta, o altar santifica!
- O Homem é o cérebro, a Mulher o coração. O cérebro produz a luz; o coração, o amor. A luz fecunda, o amor ressuscita!
- O Homem é o génio, a Mulher é o anjo… O génio é imensurável; o anjo, indefinível!
- A aspiração do Homem é suprema glória; a aspiração da Mulher, a virtude suprema… A glória traduz grandeza, a virtude traduz divindade!
- O Homem é forte pela razão; a Mulher é invencível pela lágrima… A razão convence, a lágrima comove!
- O Homem é capaz de todos os heroísmos; a Mulher, de todos os martírios… O heroísmo enobrece, o martírio sublima!
- O Homem é o código; a Mulher, o evangelho… O código corrige, o evangelho aperfeiçoa!
- O Homem é o templo; a Mulher, um sacrário… Ante o templo, nos descobrimos; ante o sacrário ajoelhamo-nos!
- O Homem pensa, a Mulher sonha… Pensar é ter cérebro; sonhar é ter na frente uma auréola!
- O Homem é um oceano; a Mulher, um lago… O oceano tem a pérola que o embeleza, o lago tem a poesia que o deslumbra!
-O Homem é a águia que voa; a Mulher, o rouxinol que canta… Voar é dominar o espaço, cantar é conquistar a alma!
- O Homem tem um farol: a experiência; a Mulher tem uma estrela: a esperança… O farol guia, a esperança salva!
- Enfim, o Homem está colocado onde termina a Terra; a Mulher, onde começa o Céu!
Autor: Victor Hugo
Enviado por: Serafim dos Santos - Conqueiros
Publicada por Notícias da Freguesia à(s) 12:39 0 comentários
Etiquetas: opinião
NATAL DIFERENTE, UM MUNDO NOVO!
As lâmpadas irradiam luz que se espalha no escuro da noite, ou timidamente no interior das casas e, em mais espampanante manifestação, nas lojas, onde têm como missão cativar e atrair para um maior consumo. Provavelmente com um pouco mais de economia, dadas as manifestas dificuldades em que nos estamos a atolar, construímos um Natal mais modesto exteriormente. Isso pode ter a “solene” vantagem de nos obrigar a repensar, por um momento que seja, o verdadeiro espírito do Natal. Ele começou por nascer de uma festa pagã que festejava o “Dia do Sol”, o “Deus Sol”, por ocasião do solstício de Inverno: os dias começam a “crescer” e as noites a “minguar”. Com o intuito de cristianizar a festa pagã, a Igreja deu-lhe um sentido novo escolhendo esse mesmo dia para celebrar o Natal, o nascimento de Jesus “Luz das nações”.
Os tempos passaram e o espírito inventivo dos homens consumistas soube substituir a imagem do Menino Jesus por um velho de barbas brancas. De São Nicolau, Bispo, retiraram o espírito generoso no serviço dos mais pobres, partilhando com eles os seus bens, para transformarem esta imagem do velho de vermelho em “dador” de presentes, quando de facto ele não é mais que um chamariz a que nesta época todos transformem tudo em consumo, para o qual muitos têm precisado de fazer pedidos de dinheiro aos bancos, até há bem pouco tempo, “facilitistas” no financiamento do crédito.
São Nicolau foi transformado no Pai Natal, o Menino Jesus, como presente por si mesmo, foi substituído por camadas de tralhas e bombons, e o amor que nos levava ao verdadeiro encontro de uns com os outros foi abalroado pelos presentes que, supostamente, manifestam a relação entre pessoas, mas que em muitos dos casos são simples tentativas infrutíferas da substituição do carinho, do tempo, da amizade, do amor e do afecto que não temos capacidade de distribuir e oferecer pelos que nos são mais próximos. Por isso, e muito mais, o Natal perdeu o seu espaço para o espírito pagão do passado longínquo.
Um novo ano está por aí já a despontar, queira Deus que no seu decurso possamos recuperar os empregos perdidos, se afaste de nós o medo da insegurança em todos os sentidos, nos seja devolvida a possibilidade de poder gastar muito, mas que isso seja acompanhado por um espírito novo de poupança e de capacidade para a preparação de um futuro mais justo e fraterno. Se a sociedade está a destruir as nossas raízes familiares, o novo ano e a crise nos ensine a caminhar em contra-ciclo, guiados não pelos outros pelo nosso interior mais profundo, que conduz à redescoberta do ser humano.
Pe. José Baptista
31 de dezembro de 2008 | Publicada por AD à(s) 15:45 0 comentários
Etiquetas: opinião
DO VELHO SE FAZ NOVO
O tempo não deixa de correr apressadamente. Indiferente a crises e a tudo o mais, seja bom ou mau, lá nos está a fazer chegar a mais um Natal, e isso faz-nos sentir que estamos no final de mais um ano. A história fica feita no passado e o futuro apresenta-se diante de nós para ser construído. A história fixou-se agarrada à nossa vida por isso não nos dá espaço de mudança, mas o dia de amanhã está em branco, pronto a ser preenchido e colorido por cada um.
O Natal é, talvez em todo o ano, a época que nos faz mudar mais, nos faz sentir diferentes ainda que por um curto espaço de tempo. Reina ainda a dimensão do encontro familiar e de partilha entre todos. Este é, sem dúvida, o Espírito de Natal: sentirmo-nos “pequeninos”, o que nos torna semelhantes a todos os outros e nos faz sentir membros de uma mesma comunidade. A aproximação a que isso nos leva, traz-nos o encanto e a magia próprios da vida humana, que tem sentido quando vivida em comunhão e dentro de relações positivas que atiram para longe a sensação de que se está só seja em que momento for. O ser humano é verdadeiramente especial: tem, mais que confirmada pela vida, a experiência de tudo o que o faz sorri, e sentir aquilo por que visceralmente anseia, mas no momento seguinte a experiência desvanecem-se e atiram-se todas as forças na busca do que é mais fácil e momentâneo, mas também mais passageiro e enganador.
A sociedade consumista em que nascemos e vivemos produz diariamente milhões de toneladas de lixo. Muitos recursos então a ser desperdiçados e a natureza vai-se deteriorando, acabando por chegar ao esgotamento total se a exploração de que é vítima não mudar de rumo. Por outro lado, há o problema do espaço para depositar todo o lixo produzido diariamente. Foi uma certa tomada de consciência dessas realidades que nos fez pensar em reciclagem: muitos dos recursos naturais são reutilizados de modo a permitir que os exageros consumistas não destruam tão rapidamente a natureza. A palavra reciclar significa repetir o ciclo, isto é: “dar vida a um objecto mais que uma vez”.
Até há bem pouco tempo era comum ouvir falar de reciclagem em relação às pessoas. Hoje usa-se a expressão “formação permanente”, que não é mais que uma actualização, um “upgrade” dos nossos conhecimentos, das nossas ideias. Creio não ser descabido dizer que o tempo de Natal é momento oportuno para a reciclagem dos objectos que já fazem parte do passado para os reutilizar no futuro, mas é tempo também de pensar na redução dos consumos de papéis, e sacos e outros materiais plásticos… Aqui, mais que reciclar importa evitar o uso até na primeira vez. Quanto a nós e ao nosso modo de viver, talvez importe bem mais recuperação e reutilização de muitos dos valores do passado, não para a ele voltarmos mas para com eles darmos conteúdo a muitas ideias balofas que nos nascem na mente e, como o vento ou balões cheio de nada, se propagam e difundem velozmente esvaziando também a vida daqueles que sofregamente e sem critério as absorvem e delas fazem os alicerces da construção da sua história.
Para melhor e mais reciclarmos é preciso que nos reciclemos.
1 de dezembro de 2008 | Publicada por Notícias da Freguesia à(s) 12:18 0 comentários
Etiquetas: opinião
DO S. MARTINHO AO NATAL, É TEMPO DE DAR
Terminado o S. Martinho e a caminho do Natal, podemos encontrar três grandes exemplos de generosidade: S. Martinho, Saint Noëlle e Jesus Cristo.
Num tempo de tantas dificuldades, em que as famílias, mais do que soluções financeiras milagrosas, necessitam de muita atenção e carinho. São diversas as coisas que se podem dar sem gastar um euro e ter um retorno fantástico. Vai ver como é fácil e barato dar.
Se a felicidade do outro está no receber, com toda a certeza a nossa felicidade também está no dar. Quem dá recebe sempre em dobro!
Muita gente quer dar e não sabe como nem o quê. Deixo aqui algumas sugestões do que pode dar sem ter qualquer esforço financeiro:
- Dar um aperto de mão (bem forte)
- Dar um beijo (ou um miminho)
- Dar um abraço;
- Dar uma piscadela de olhos;
- Dar tudo por tudo;
- Dar a outra face;
- Dar a César o que é de César;
- Dar uma esperança;
- Dar o litro;
- Dar a volta por cima;
- Dar uma mão;
- Dar um jeitinho;
- Dar à luz;
E por fim… Dar tempo ao tempo.
Como pode ver, afinal todos nós temos algo para dar, e muitos são os desejosos por receber. Tal como S. Martinho e Saint Noëlle, e a exemplo de Jesus Cristo, nesta época de Natal ofereça uma das sugestões.
Seja feliz. Faça alguém feliz.
Publicada por Notícias da Freguesia à(s) 12:16 0 comentários
Etiquetas: opinião
A MEU PAI!
Que me ensinou a cantar
versos, da vida do povo, de expressão popular!
… Se voltasse, com certeza gostaria
de ler o que escrevo, em poesia!
- Ele foi quem me fez poeta
tanta vez me repreendeu, que não saísse pateta,
que não tivesse vergonha de trovar os sentimentos,
bastava cedo acordar, e arranjaria argumentos!
“De manhã, começa do dia,
depois das onze, vem o meio-dia!”.
Descalço, pobre, mas honrado
enxada nos ombros, terras fora
cavando…
- quantas vezes afaimado
por mais que fizesse, não chegava,
mas pelas barbas de seu rosto
essas, ele mesmo as respeitava
sempre pronto, à hora devida lá estava
com chuva, com frio, cavava!
À noite, junto à lareira
adormecia no banco, cansado,
era assim que se repousava!
Gostaria que voltasse, para que meus poemas lesse
dedicados a pessoas
às plantas e aos penedos
às velhas pedras da rua, quão movidas delatam segredos,
a Doutores!
Aos burros, presos às oliveiras
aos senhores de fato escuro, que agora só fazem asneiras
escrevo a toda a gente, até aos miúdos das escolas
aos pançudos avarentos e aos pobres que pedem esmolas,
aos pintores, aos pinheiros e às flores
às ruas e vielas e a quem transita por elas
às senhoras, viúvas, casadas, solteiras
aos relógios, ao vinho e às bebedeiras
poemas alegres e risonhos que rabisco nos meus sonhos!
Alguns suscitam mau estar
a quem os não sabe ler;
Paciência!
Escrevi aos surdos, às bruxas e aos ladrões
que vestem fatos, sem botões
aos ciganos, aos trafulhas
aos chimpanzés e macacos que na jaula joguem bulhas
ao circo… (agora é de graça)
os palhaços, já não fazem rir,
quando a caravana passa!
Pai,
eu continuo a trovar,
e quero, que saibas, lá onde estejas
que te continuo a amar!
Publicada por Notícias da Freguesia à(s) 12:14 0 comentários
Etiquetas: opinião
VOZES DA FREGUESIA
Pela construção de uma casa de raiz
A minha opinião é a opinião do Conselho Económico. O estado de degradação daquela casa justificava que fosse abaixo. Caso a casa fosse reabilitada, para além de custos redobrados em comparação com uma casa construída de raiz, dentro de cinco a seis anos já se começariam a verificar estragos de novo.
Rui Crespo, Chã da Laranjeira, (representante do Conselho Económico)
Eu tenho duas opiniões muito concretas: por um lado sou defensor da construção da casa de raiz para melhor localização, uma vez que a casa é recuada. Depois há que ter em conta também a redução de custos, pois segundo estudos que foram feitos, ficaria bem mais barato a construção de origem, e tem ainda de ser considerada a durabilidade: uma casa de raiz dura muito mais do que uma reabilitada. Por outro lado, sou a favor do restauro quando este vai à origem. Gostava que as pessoas tivessem a noção de que o restauro só faz sentido indo à origem, e é importante ter noção dos custos e das condições de habitabilidade que depois iriam haver caso isto se concretizasse.
Carlos Anselmo, Souto da Carpalhosa
Pela reabilitação da casa antiga
O NOTÍCIAS DA FREGUESIA falou com algumas pessoas que se manifestaram, desde o início, contra a construção da casa paroquial de raiz. No entender destas, a casa antiga deveria ser reabilitada para “conservação da memória” de todos e pela “importância” que esta tinha em termos de interesse público. Contudo, nenhum dos ouvidos quis identificar-se publicamente, através do nosso jornal, por considerar que a discussão deste assunto “ já vem tarde porque é uma causa perdida”, como referiu um dos contactados.
6 de novembro de 2008 | Publicada por Notícias da Freguesia à(s) 11:52 0 comentários
Etiquetas: opinião
LONGE DOS OLHOS, LONGE DO CORAÇÃO
Depois de quinze dias passados na cidade da Praia, na ilha de Santiago, em Cabo Verde, num contacto muito directo com algumas das pessoas daquela capital de país e sua periferia, em saudosas actividades de escuteiros, vim com uma vontade enorme de fazer uma coisa muito simples como é o poupar água. É evidente que, uma vez regressado ao “nosso mundo”, essa vontade num instante se esfumou porque tudo ficou lá longe dos olhos e, por isso mesmo, também longe do coração. Meninas dos seus tenros oito ou nove anitos com velhos baldes de 20 litros, como esses da tinta, durante duas horas numa fila à espera da sua vez para chegar à fonte. Do seu lado esquerdo uma lixeira onde conviviam galinhas, cães, crianças…
Celebrar um dia mundial da alimentação é, para nós, ouvir dizer que é preciso alimentarmo-nos equilibradamente, sem excessos. O grande problema do “nosso mundo” passa pela obesidade. Para muitos milhões de pessoas um dia desses, se soubessem que existe, seria óptimo que ouvissem dizer que haveria um pratinho de sopa todos os dias para cada um. Diariamente, segundo os “entendidos”, 25 mil pessoas continuam a morrer por questões alimentares e cerca de 900 milhões vivem com menos de 1 euro por dia, muitas delas com nada, por isso se morre de fome.
Poupar água, gasolina, bolos, arroz, energia, lápis, tempo… pode não representar muito na solução dos problemas, mas leva-nos a tomar consciência deles e a pensar que milhões dariam tudo para terem um pouco mais que nada. Lá, em Cabo Verde, a “Ni” aproximou-se de mim e pediu-me uma a T-shirt que eu trazia vestida porque nela estava estampada o seu “nominho” (alcunha) “NY”. Quando lhe disse que estava sebenta, o que era verdade, ela sorriu e respondeu “não faz mal, eu lavo-a”. Não sei imaginar a alegria que manifestou quando lha entreguei. Sei apenas que, vivendo com “uma refeição diária, pelo menos”, como me foi dito, aqueles adolescentes e jovens desfaziam-se de tudo para terem uma recordação nossa ou darem-nos uma sua.
A recordação e comparação destes factos não é, de modo algum, a defesa da ideia de que devemos começar a passar mal para os outros passarem bem, ou a deixar de viver com a dignidade possível só porque os outros não têm essa possibilidade. É apenas a minha lembrança e uma tentativa de tomada de consciência de que tudo, o bem e o mal, faz parte da nossa vida e de que nada é eterno, além de Deus e da vida que nos oferece. Olhemos a Islândia, o melhor país para se viver, até há uns tempinhos atrás, e, agora, na banca rota.
Defendo a ideia de que viver com dignidade passa por viver o melhor possível, mas com a consciência de tudo se ter feito para que os outros assim possam viver também.
Publicada por Notícias da Freguesia à(s) 11:46 0 comentários
Etiquetas: opinião
O REGRESSO ÀS AULAS VISTO PELOS PROFESSORES
Colocamos quatro questões a dois professores para conhecer a sua perspectiva sobre a prática de ensino nos dias de hoje. Albertina Carreira, professora de Religião e Moral (EMRC), e Acácio Domingues, professor de Educação Física, deram a conhecer a sua opinião.
1- Nos dias que correm fala-se em muitas alterações no ensino. Considera que, nos dias que correm, há facilitismo para com os alunos?
2- O que a marcou mais enquanto aluno (a)?
3- E enquanto professor (a)?
4- Se fosse ministro (a) da Educação, o que mudava no nosso sistema de ensino?
Albertina Carreira
1- O próprio sistema de ensino favorece esse facilitismo! Na sua grande maioria, os alunos hoje em dia são super-protegidos pelos pais! Crescem a obterem quase tudo, sem grande esforço! Os meninos pedem e os pais dão! Basta ver, os telemóveis topo de gama, a roupa de marca, os portáteis, etc. ...Depois na escola, pensam que também não precisam de se esforçar! Graças a Deus que há excepções!
2- Quando um professor mandava algum recado para os meus pais (o que era raro!) e eu tentava de alguma forma explicar o que tinha acontecido, era uma batalha perdida, porque os meus pais achavam que o professor tinha sempre razão! Hoje em dia os alunos questionam a autoridade dos professores porque os seus pais também a questionam!
3- Acho alguma piada, encontrar hoje em dia pessoas que vêm ter comigo e me dizem que já foram meus alunos. Às vezes consigo fazer boa figura porque ainda me lembro de alguns nomes!
4- Começava por reformular o próprio sistema de ensino! Quando ouço os nossos políticos a fazerem comparações a nível do ensino com outros países, a dizerem que num determinado país a taxa do sucesso escolar é excelente, os alunos tem notas brilhantes às disciplinas de Língua Materna e Matemática, apetece-me perguntar-lhes pelos incentivos que são dados às famílias nesses países! Só a título de exemplo: na Finlândia, quando um aluno vai pela primeira vez para a escola (1.º ano de escolaridade), a mãe tem direito a ficar seis meses em casa para poder acompanhar e apoiar o seu filho! E continua a receber mensalmente o seu ordenado! Não é preciso dizer que no nosso país, os pais muitas vezes não vão à escola falar com o Director de Turma, porque o patrão não o permite!
Acácio Domingues
1-Actualmente, atravessamos um período de alterações, em termos de políticas educativas, que condicionam toda a estrutura escolar. Na educação só o tempo dirá se estas medidas terão um impacto positivo, ou não, na vida dos alunos e das escolas. Relativamente ao facilitismo, diria que é mais fácil aos alunos concluírem os seus ciclos de ensino, uma vez que existem mais alternativas na escolha dos percursos escolares. Isto é, existem cursos com graus de dificuldade distintos. Por outro lado, relativamente à escolaridade obrigatória, estão criados mecanismos burocráticos que favorecem e promovem o sucesso dos alunos.
2 e 3- Não houve nenhum acontecimento concreto que me tivesse marcado especialmente, quer como aluno, quer como professor. No fundo, aquilo que conseguimos obter como alunos, e oferecer como professores, são conhecimentos e experiências que apenas diferem na forma como cada um os consegue interpretar.
Na realidade, o que me marca todos os dias é poder interagir com um mundo de crianças e jovens, e poder contribuir para a sua formação íntegra e positiva.
4- Infelizmente, vivemos num país com escassos recursos económicos, e esse facto condiciona todas as ideias, por muito boas que sejam. No entanto, há coisas que o dinheiro não compra, e essas podem ser postas em prática.
Da escola fazem parte os alunos, os professores, os funcionários, os pais e as entidades responsáveis. Ao existir desagrado claro de algum destes agentes, a máquina não funciona, e os riscos de insucesso ficam mais evidentes. Daí que a promoção do diálogo aberto e sincero seja fundamental, por parte de quem tutela a educação, no sentido de encontrar estratégias para obter o equilíbrio e a colaboração entre todas as partes envolvidas.
7 de outubro de 2008 | Publicada por Notícias da Freguesia à(s) 22:18 0 comentários
UMA QUESTÃO DE LEALDADE PESSOAL
Para não trazer à baila outras questões partilho um pensamento e preocupação com que, há dias, ocupei parte do tempo enquanto vinha de Leiria para o Souto. Junto ao corte do IC2 para Leiria Norte, ali na zona da Cova das Faias, três brigadas de trânsito preparavam-se, pelo aparato, para fazer uma “operação stop”, certamente na busca de irregularidades por parte dos condutores. Algumas centenas de metros depois… um carro parado. Passei. Ele arrancou numa velocidade ainda mais lenta que a que eu trazia e até que cortasse no sentido da Figueira da Foz, pela N109, pude observar que veio todo aquele espaço a acender faróis, para quem viajava na outra faixa, avisando da presença da autoridade cerca de um quilómetro mais adiante. Parecia contratado.
Pus-me a pensar se em algum daqueles carros não estaria a ser transportada uma grande quantidade de droga para ser consumida pelos filhos de quem lhes passava sinais. E quem me garante que aquela operação não era para encontrar um traficante de armas para vender a gente sem escrúpulos e que matam que pode matar qualquer um de nós por “dá cá aquela palha”?? E se uma criança tivesse desaparecido de junto da sua mãe, levada não se sabe por quem ou para onde, e as autoridades estivessem à espera que passassem os raptores para serem capturados? E se do outro lado da estrada estivesse a fugir o assaltante de um banco na cidade? E se alguém alcoolizado, numa tentativa de fuga, não tivesse tempo de parar na passadeira onde a esposa e a filha pequenina, daquele senhor que tinha passado sinais de aviso, estavam a atravessar a rua depois de um dia de escola? E se…
E quem avisa criminosos, ainda que sem o saber, não é criminoso também? E se há uma lei que é justa, ainda que nos custe a cumprir, porque é que não havemos de a cumprir? Não é uma questão de muito ou pouco, mas de uma certa dignidade interior. Parece que continuamos a ver as autoridades como inimigos a abater, mas não deixamos de protestar contra a falta de segurança em todas as situações do nosso dia ou se, quando precisamos delas, não aparecem senão depois de algum tempo passado. Tudo exigimos e pouco fazemos, como crianças pequeninas, talvez muitas vezes não saibamos o que queremos.
Pe. José Baptista
Publicada por Notícias da Freguesia à(s) 21:34 0 comentários
Etiquetas: opinião
A PROPÓSITO DE FESTAS
Quando falamos em festas, religiosas ou não, esses momentos que, sobretudo nestes meses de Verão, fazem parte das nossas terras e associações e quase invadem os dias e as noites de todos nós, falamos, necessariamente, de um modo de angariar fundos para os fins desejados. Não negamos que esse é um factor importante, mas, no meu modo de ver, outros há que se deviam tornar primeiros quando se programam actividades festivas. Congregar, juntar, mover, reunir as pessoas num tempo e num espaço em que se sintam bem, para que se sintam motivadas a ir para se encontrarem com outros, para conversar e partilhar ideias.
Todos compreendemos que o progresso de uma comunidade não se manifesta no viver opulento de alguns, porque outros ficarão sempre a viver mais pobremente e lado a lado com eles. A comunidade mede-se pelo que de comum existe e quando é fruto da participação de todos. Sendo mais ou sendo menos, menos importa o que se dá do que sobra que o que se dá do que se é. A festa sem cada um de nós torna-se mais pobre, menos festa.
Clara é também a dificuldade no encontro de gente disposta a organizar, a orientar, a puxar. Cada vez mais os jovens encontram ocupação dentro de casa ou longe dela, cada vez mais os jovens participam menos na construção da vida comum. Atente-se que não condeno, mas que constato uma realidade que me parece bem compreensível; cada vez mais os menos jovens se sentem cansados; cada vez mais as crianças vão nascendo em menor número; cada vez mais se sente que estamos em época de mudança, e que, como sempre, faz sofrer e ter medo, porque se sabe mais ou menos de onde se vem, e muito se quer deixar, mas não se sabe para onde se vai e o que se conseguirá alcançar. Cada vez será mais difícil encontrar gente generosa e disposta a entregar-se voluntariamente pelo bem da comunidade.
Se uma comunidade religiosa, uma comunidade civil, uma associação… consegue construir comunidade e comunhão, a angariação de fundos para os seus projectos torna-se mais fácil. Por isso digo que antes de pensar ter mais para fazer mais precisamos ser mais para conseguir o suficiente e necessário. Oxalá as nossas festas se tornem sempre mais espaço e tempo de encontro, mas não o serão se cada um de nós pensar mais em ser e estar que em dar.
Falando de festas, não posso deixar de manifestar o meu apreço por todos aqueles que organizaram, e continuam a organizar, os eventos que acontecem nesta freguesia. Claro que não se pode esquecer aqueles que com os organizadores colaboram dando o seu tempo, o seu trabalho, os seus bens, arrisco dizer, parte da sua vida, para que tudo possa acontecer o melhor possível.
1 de setembro de 2008 | Publicada por AD à(s) 20:51 0 comentários
Etiquetas: opinião